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Moradores da Guarita denunciam violência policial na periferia de Natal

Moradores da Guarita, na Zona Oeste de Natal, estão amedrontados com o aumento da violência policial na comunidade. Populares se queixam de ameaças e da invasão às residências sem mandado judicial, especialmente de madrugada.

Os casos ficaram mais frequentes a partir de abril, informa um morador sob a condição de anonimato. O período coincide com o intervalo em que a violência contra policiais também aumentou. Nos últimos 15 dias, três policiais à paisana foram mortos em Natal. Não há indício de ligação entre os crimes. O morador ouvido pela reportagem também não sabe se há uma relação entre violência policial na Guarita e os crimes contra os agentes de segurança. E denuncia a opressão na comunidade:

– Muitos populares estão com receio de sair de casa para buscar o pão de cada dia e quando voltar encontrar sua casa invadida e com objetos quebrados. Os policiais estão oprimindo a população do bairro com tons de ameaças, andando com armas de grossos calibre apontado para pessoas que não oferecem risco algum e até mesmo para idosos e crianças”, disse.

De acordo com ele, como a Guarita é formada por vielas, “eles chegam na entrada com a viatura, fecham, entram alguns policiais, invadem essas casas, e deixam outros policiais na porta das vielas para ninguém entrar, questionar, falar… o problema está aí”, comentou.

O morador classifica de “racista” a ação da polícia e vê a prática de crimes de abuso de autoridade pelos agentes de segurança. Uma nota em nome “da população da Guarita” foi divulgada informando que parte dos moradores estão psicologicamente abalados:

– A PM vem mantendo atitudes racistas em nossa comunidade e tratando com abuso de autoridade e opressão pelo simples fato do cidadão morar próximo a pontos de drogas. Mas o cidadão não tem culpa alguma disso, não cabe a população se meter nessa situação, isso é um problema de segurança pública. Estamos amedrontados com a pandemia e agora com essas atitudes criminosas da PM que está nos deixando doentes psicologicamente e nos deixando sem dignidade alguma”, diz um trecho do comunicado.

No comunicado, os moradores também elogiam a Polícia Militar, mas denunciam ações de opressão na comunidade:

– Acreditamos e respeitamos a PM do nosso Estado e sabemos que não é essa forma de trabalhar que os verdadeiros homens de honra e coragem da gloriosa deve fazer. Estão andando com carros disfarçados e policiais a paisana dando tiros na madrugada e espancando pessoas e ameaçando aqueles que estão a noite trabalhando ou vindo do trabalho”, diz o comunicado, que cobra providências do Governo do Estado:

– Repudiamos e cobramos do comando-geral junto do Governo do Estado do Rio Grande do Norte que investiguem essas denúncias e façam os trabalhadores da segurança pública exercer suas funções corretamente”, encerra a nota.

Polícia Militar afirma que Corregedoria e Ouvidoria estão recebendo denúncias

Procurado pela agência Saiba Mais, o assessor de comunicação da PM coronel Eduardo Franco informou que houve um aumento de apreensão de drogas e armas de fogo naquela área. Segundo ele, ações que envolvam prisões “podem ser mais enérgicas”. No entanto, “pessoas que não tenham nada a ver com a história podem ser afetadas e devem procurar a Corregedoria ou a Ouvidoria” para fazer as denúncias.

– É importante que as vítimas dessa suposta violência procurem a Corregedoria, mas se não quiserem ir até a Sesed podem procurar a Ouvidoria pela internet”, disse.

CANAIS PARA DENÚNCIA DA OUVIDORIA DA SESED

E-mail: ouvidoriarn@bol.com.br / ouvidoriadepoliciarn@gmail.com
Disque-denúncia – 0800 281 1595
Telefone/WhatsApp: (84) 98132-6582

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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