CIDADANIA

Moradores descomemoram 1 ano de obra inacabada em Igapó

Geraldo Adelino vive na rua Santa Luzia há mais de três décadas. Nesse tempo ouviu muitas promessas de diversos agentes do poder público sobre as medidas para acabar com as enchentes que sempre sofreu na região. Porém, o morador não esperava que a situação ficasse ainda pior após o início da obra de drenagem do bairro de Igapó.

“O problema antes era esporádico. Agora, essa rua recebe as águas dos bairros da região, como Parque dos Coqueiros e têm dias que a água fica até o pescoço e aqui vira lagoa”, informou o aposentado.

Hoje, Geraldo vive sozinho em sua residência, que fica em frente a uma das crateras abertas pela Secretaria de Obras Públicas de Natal. A esposa e filha dele foram morar na casa da sogra de Geraldo, no mesmo bairro. O local que antes recebia mulheres para tratar de beleza, hoje está sujo, horrível e abandonado.

“Perdi tudo do salão da minha filha“, fala o senhor ao apontar até onde a água chegou durante as chuvas que Natal sofreu no início do ano.

Restos do salão da filha de Seu Geraldo (Foto: Renato Batista)

Orçado em R$ 4,8 milhões, com recursos da Prefeitura de Natal, Caixa Econômica Federal e o antigo Ministério das Cidades, atual Ministério do Desenvolvimento Regional, a obra teve início há um ano, no dia 18 de julho de 2018, e deveria ter sido entregue no dia 18 de janeiro de 2019.

Com irreverência e cansados da espera, os moradores que sofrem com a obra inacabada, “descomemoraram” o primeiro aniversário da obra de drenagem de Igapó. Com direito a bolo e gritos contrários ao prefeito Álvaro Dias (MDB) e o secretário Tomaz Neto, os manifestantes tentaram chamar atenção do poder público para o descaso.

“A Prefeitura veio fazer uma obra aqui, mas não levou nenhuma peculiaridade da região. Hoje, nós vemos comerciantes completamente prejudicados. Moradores que não conseguem chegar com seu carro em casa e deixam no meio da rua. Isso também mexe com nossa saúde, pois uma ambulância não consegue passar pelos buracos e até mesmo a coleta de lixo fica prejudicada”, informou o advogado Ives Barbosa, que mora na rua Santa Luzia.

A irmã do advogado tem um comércio quase em frente a um dos buracos expostos. Ela conta que coincidentemente abriu o negócio quase na mesma época que teve início a obra e isso a fez perder dinheiro.

“Eu vendo comida e quase ninguém vem comprar. Aqui passa muito rato e barata… Antes eu tinha uma venda muito boa em outra rua e agora passo por esse problemão”, disse Fátima Bezerra.

Segundo a moradora, em junho deste ano o prefeito Álvaro Dias esteve na rua e no portão de sua casa informou que dentro de 15 dias a obra estaria pronta, mas de acordo com Fátima (aos risos) ele nunca mais apareceu.

Moradores da rua Santa Luzia bateram parabéns para o primeiro aniversário da obra inacabada (Foto: Renato Batista)

Procurada, a Secretaria de Obras Públicas deu um novo prazo de dez dias para a conclusão da drenagem de Igapó. Segundo o órgão, existe um pagamento de R$ 800 mil para ser feito à empresa Âlcantara e Nóbrega, mas essa verba encontra-se na Caixa Econômica Federal e depende de uma análise técnica para a liberação.

De acordo com o secretário Tomaz Neto, até o fim da próxima semana “estará tudo ok”, e em dez dias a obra acaba. Ainda segundo a Semov, a empresa não parou totalmente a obra e segue fazendo a limpeza e bocas de lobo, entre outros serviços.

O morador Nivaldo Bacural confirma que ainda há pessoas ligadas à empresa na rua, mas que basicamente retiram a areia e jogam em outro ponto.

“A gente percebe que vivem refazendo as mesmas coisas que já tinham sido feito. Há uma falta de vontade para terminar”, diz.

Com o prazo dado pela Secretaria de Obras Públicas de Natal, até o dia 28 de julho a obra estará acabada. Esse é o maior desejo de quem vive com o caos instaurado na rua Santa Luzia.

Seu Geraldo teve de construir barreiras para não perder o que restou em casa (Foto: Renato Batista)
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