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Moro autorizou ação contra filha de empresário para pressioná-lo a se entregar

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Nova reportagem da Vaza Jato, divulgada pelo site The Intercept nesta quarta-feira (11) revela que o ex-juiz Sergio Moro deu aval aos procuradores da força-tarefa para que eles fizessem uma ação de busca e apreensão contra Nathalie Angerami Priante Schmidt para pressionar o empresário luso-brasileiro Raul Schmidt, foragido da justiça em Portugal por alguns, a se entregar.

“Prezados, gostaria de submeter à analise de todos a questão da operação na filha do raul schmidt.. basicamente, ela esta envolvida em algumas lavagens por ser beneficiária de uma offshore do pai.. pensamos em fazer uma operação nela para tentar localizá-lo”, escreve o procurador Diogo Castor de Mattos aos colegas, que aprovam a ideia no grupo.

Deltan Dallagnol se pronuncia colocando em dúvida se Nathalie estaria “realmente envolvida em crimes”.

“Mas o que ganha? -salvo se realmente achar que ela tá envolvida nos crimes, não haverá provas deles -quanto à localização dele, pode até achar, mas terá poucas horas pra prendê-lo, ou menos de poucas horas, tendo de mobilizar polícia fora em país que não sabemso qual em território de fronteiras abertas UE (SIC)”, diz.

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Em ação

O plano foi colocado em ação e a Lava Jato enviou petição a Moro para poder confiscar o passaporte de Nathalie e cumprir o mandato de busca e apreensão. Em 5 de fevereiro, o ex-juiz negou o pedido, afirmando que não havia comprovação suficiente de culpa e que o nome dela era inédito nas investigações até ali.

Em maio, os procuradores usaram os mesmos argumentos em nova petição, com urgência, para o cumprimento das medidas contra Nathalie, afirmando que Raul “se evadiu” ao ser procurado pelas autoridades.

Desta vez, Moro acatou o desejo dos procuradores, sem qualquer incremento nas provas contra ela e a ação foi desencadeada.

Nathalie teve o passaporte retido e foi alvo de busca e apreensão em casa, no Rio de Janeiro, em 24 de maio. Segundo a defesa alegou quatro dias depois em pedido de habeas corpus ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, “três agentes da Polícia Federal portando metralhadora ingressaram na residência da paciente de forma truculenta, exigindo, aos berros, que ela revelasse o atual paradeiro do seu genitor, sob ameaça de ‘evitar dor de cabeça para seu filho’”, referindo-se à criança dela, um menino então com sete anos.

A extradição de Raul foi arquivada pela justiça portuguesa em janeiro de 2019, e o Ministério Público do país recorre da sentença desde então. Nathalie foi denunciada pela Lava Jato por lavagem de dinheiro pela compra do imóvel em Paris no final de 2018, mas o caso corre, até hoje, sob sigilo.

*Informações: Revista Fórum e The Intercept Brasil

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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