CULTURA

Morre Beth Carvalho, a fada madrinha do samba

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A cantora Beth Carvalho morreu nesta terça-feira (30), aos 72 anos de idade, no Rio de Janeiro. Ela estava internada há dois meses e vinha sofrendo há alguns anos com um problema na coluna. A causa da morte ainda não foi divulgada. Nos últimos shows, em 2018, Beth cantava já deitada numa cama montada em cima do palco.

A carioca era conhecida e reconhecida como “madrinha do samba” por ter revelado sambistas que ganharam fama internacional após o “empurrão” de Beth. Zeca Pagodinho e o grupo Fundo de Quintal, de onde surgiram Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Almir Guineto, são exemplos do olho clínico da cantora.

Beth chegou a se referir ao compositor Arlindo Cruz como “o novo Candeia”, uma referência à outro gigante do samba.

Botafoguense, mangueirense e militante de esquerda, Beth Carvalho foi uma das vozes que pediram eleições Diretas em 1984, quando o país ainda estava com a ditadura militar atravessada na garanta. Eleitora do ex-governador Leonel Brizola, ajudou a difundir o brizolismo pelo país. Era ativa e participante das reuniões do PDT nos anos 1980/90.

Beth percorreu mais de 50 anos de carreira. O primeiro grande sucesso foi “Andança”, no disco lançado em 1969. A cantora emplacou vários hits, como “1.800 Colinas”, “Saco de Feijão”, “Olho por Olho”, “Coisinha do Pai”, “Firme e Forte” e “Vou Festejar”. Também gravou sambas consagrados de Cartola “As Rosas Não Falam” e “Folhas de Secas”, de Nelson Cavaquinho, compositor a quem dedicou um disco inteiro.

Engajada nas causas políticas, Beth Carvalho chegou a gravar em 2018 o samba Lula Livre, pedindo a liberdade do ex-presidente da República.

Pela conta oficial de Beth Carvalho no Instagram, o empresário dele deixou uma mensagem de carinho aos fãs:

Nossa querida Beth Carvalho partiu hoje as 17:33, cercada do amor de seus familiares e amigos. Agradecemos todas as manifestações de carinho e solidariedade nesse momento. Beth deixa um legado inestimável para a música popular brasileira e sempre será lembrada por sua luta pela cultura e pelo povo brasileiro. Seu talento nos presenteou com a revelação de inúmeros compositores e artistas que estão aí na estrada do sucesso. Começando com o sucesso arrebatador de “Andança”, até chegar a Marte com “Coisinha do Pai”, Beth traçou uma trajetória vitoriosa laureada por vários prêmios, inclusive um Grammy pelo conjunto da obra. Assim que possível, informaremos sobre o sepultamento.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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