DEMOCRACIA

Movimentos sociais e oposição apresentam pedido coletivo de impeachment contra Bolsonaro

O primeiro pedido coletivo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro foi entregue nesta quinta-feira (21) à Câmara dos Deputados. Assinam o documento sete partidos de esquerda – PT, PCdoB, Psol, PCB, PCO, PSTU e UP – e cerca de 400 entidades e movimentos sociais, além de artistas, juristas, intelectuais, lideranças indígenas e líderes políticos, como Fernando Haddad, candidato do PT nas eleições presidenciais  de 2018.

O documento foi entregue em meio a um clima de insatisfação geral com as políticas do governo, especialmente diante da pandemia causada pelo novo coronavírus. De acordo com o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (21), o país registra 310.087 casos oficiais confirmados e 20.047 mortes.

Em entrevista coletiva logo após protocolar o pedido, a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), destacou o descaso do presidente com as vítimas da Covid-19, com os trabalhadores mais pobres e também com os donos de pequenos negócios.

“Até agora o crédito não chegou e as pessoas estão sendo demitidas. Bolsonaro não tem condição alguma de governar, nem humana, de se colocar no lugar do outro, muito menos de proteger. Só saber brigar o tempo todo e vive o tempo todo em meio a crimes de todo tipo, inclusive de responsabilidade e eleitoral”, alega a petista.

A parlamentar lembrou que sem vida não há economia. “Quantas pessoas mais terão de morrer? Sob o governo Bolsonaro o país jamais terá condições de enfrentar essa crise toda”, disse.

Membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos disse que Bolsonaro é um “aliado do vírus” e destacou o perfil antidemocrático do presidente, que faz apologia à ditadura e à tortura, além dos crimes de responsabilidade que têm praticado e as tentativas de interferência na Polícia Federal para proteger seus filhos.

“Este não é mais um pedido de impeachment. Este é o maior pedido de impeachment feito até agora, viemos exigir que o Rodrigo Maia aceite, acate esse pedido e abra urgentemente o processo de impeachment contra o Bolsonaro”, disse Boulos.
Cabe agora ao presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) dar prosseguimento ou não a esse e outros pedidos de impeachment do presidente. Maia, até agora, não tem demonstrado que pretende levar adiante algum dos vários pedidos protocolados na Câmara. Um levantamento feito pelo site Congresso em Foco mostrou que, no fim de abril, já tinham sido apresentados 26 pedidos do tipo contra Bolsonaro.

A entrega do pedido do afastamento de Bolsonaro contou ainda com um ato em Brasília, promovido pelo MTST, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Central de Movimentos Populares (CMP) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-N).

Participaram também os juristas Celso Antonio Bandeira de Mello, Lenio Streck, Pedro Serrano e Carol Proner e os ex-ministros da Justiça Tarso Genro, José Eduardo Cardozo e Eugênio Aragão, que participaram também da redação do pedido.

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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