CIDADANIA

MST retoma ocupações por políticas de reforma agrária e combate à fome

Ter acesso à terra como meio de produção para conseguir se emancipar financeiramente e plantar seu próprio sustento”. Com essa concepção, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), um dos maiores e mais articulados de toda a América Latina, retomou as ocupações em terras consideradas improdutivas, explica o dirigente estadual do movimento no Rio Grande do Norte, João David.

Num cenário de aumento da pobreza, da fome, do desemprego e de perda de direitos trabalhistas, os trabalhadores sem-terra reivindicam políticas de reforma agrária, do combate à fome e da preservação ambiental. Nos últimos 14 dias, foram montados novos acampamentos nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Norte.

Segundo David, a partir do avanço da vacinação contra o coronavírus, avançam também, e de forma gradual, as possibilidades organizativas de se buscar a Reforma Agrária, garantida na Constituição, por meio das ocupações de terra. “O movimento toma essa decisão a nível nacional como uma pauta de geração de renda, como uma pauta da classe trabalhadora. A ocupação de terra legal é um instrumento de combate à fome e aos retrocessos do governo de Bolsonaro”, avalia o dirigente.

A primeira ocupação dessa nova fase foi realizada no dia 16 de outubro, às margens da RN-188, entre os municípios de Jucurutu e Caicó, nas proximidades da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). A partir da união de 150 famílias foi fundado o “Acampamento Retomada Seridó”, na região Potiguar do Seridó.

Segundo a direção do MST, a expectativa é abrigar 300 famílias. “O movimento está aqui reafirmando que a luta que estamos fazendo é uma luta legal, estamos à margem da BR, em um acampamento permanente. E esse acampamento só vai sair daqui quando as autoridades solucionarem a questão da terra aqui da região do Seridó, que seria um assentamento para as 300 famílias Sem Terra aqui da região, tanto de Caicó quanto da região ao redor”, afirmou Jonh Nascimento, dirigente do MST no Rio Grande do Norte.

Também foram montados novos acampamento nos municípios de Ceará-Mirim, com 200 famílias, e Maxaranguape, a partir da organização de 180 famílias. As condições para a retomada das ocupações vêm sendo discutidas e deliberadas em assembleias após 18 meses de suspensão durante o período de quarentena.

Com as novas ocupações, são 51 acampamentos do MST no Rio Grande do Norte. “Mais de 2 mil famílias vivem embaixo da lona preta e passam invisíveis aos olhos das autoridades responsáveis pela desapropriação de terras que não estão cumprindo sua função social”, pontua David.

Segundo o Incra, são 19.814 famílias assentadas no RN. Elas estão distribuídas em 295 assentamentos, grande parte deles com presença do MST.

Ações na pandemia

Desde 2020, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem conseguindo ajudar periferias urbanas e rurais pelo país a partir de campanhas de solidariedade. Segundo a direção do movimento, já foram doadas um milhão de marmitas e cinco mil toneladas de alimentos durante a pandemia do coronavírus.

Também foram formados mais de dois mil agentes populares de saúde, que distribuíram cerca de 30 mil máscaras de proteção para população mais vulnerável por meio da campanha nacional Periferia Viva Contra o Coronavírus.

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