DEMOCRACIA

ANÁLISE: Mudança de Fábio Faria para PP é jogo de cena para acalmar bolsonarismo

O ministro das Comunicações Fábio Faria (PSD) anunciou nesta quinta-feira (13) que está de malas prontas para o PP, atual Progressistas. A “mudança” é um jogo de cena para acalmar o bolsonarismo. Fundado e controlado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o PSD desembarcou do governo Bolsonaro, assim como também deixou Dilma Rousseff a ver navios semanas antes de consumado o golpe de 2016.

Foi o próprio Kassab quem disse que o PSD não era um partido nem direita, nem de esquerda, nem de centro. É o fisiologismo na prática, em cores vivas. O famoso “quem der mais, leva”.

Segundo Faria, Kassab lhe garantiu que, em 2022, o PSD não apoiaria nem Bolsonaro nem Lula, mas que num eventual 2º turno estaria ao lado do atual presidente.

Obviamente que, se essa conversa de fato existiu, nem Fábio Faria acreditou na promessa. Lula começou a entrar em campo agora e já sugeriu nas entrelinhas que vai atrás de ampliar a base para derrotar o chefe de Fábio.

Nacionalmente, o PP é o partido do presidente da Câmara Federal Arthur Lira, que venceu a eleição na Casa apoiado por Jair Bolsonaro. Mais simbólico que isso: o PP é partido-mor do Centrão, ávido por cargos e emendas que jorram do orçamento secreto e indiscreto federal, vide os R$ 3 bilhões do Tratoraço que vem tirando o sono de Rogério Marinho.

Mas porquê a mudança de Fábio Faria para o PP é apenas jogo de cena ? Porque o PSD no Rio Grande do Norte é a casa de Robinson Faria. Foi o ex-governador, pai de Fábio, que reestruturou a sigla no Estado e dificilmente seguirá o filho. Ou seja: na prática, Fábio vai para o PP, mas segue controlando o PSD em nível local.

E quem é o PP no Rio Grande do Norte ? É o partido do deputado federal Beto Rosado, controlado há vários anos pelo pai dele, Betinho. A sigla também abriga a ex-governadora Rosalba Ciarlini, que nos bastidores já avisou que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa.

A aposta da família Rosado para 2022 é na reeleição de Beto para a Câmara dos Deputados e na eleição de Rosalba como deputada estadual.

Com o fim das coligações, não faria o menor sentido Robinson seguir o filho e migrar para o PP, onde entraria numa guerra fratricida contra Beto Rosado por uma vaga na Câmara. Isso, claro, se o Tribunal Superior Eleitoral reverter a decisão do TRE  que condenou o pai de Fábio e lhe tornou inelegível.

Portanto, Fábio Faria seguirá no controle do PSD local mesmo dizendo a Bolsonaro que deixou o partido.

Para o ministro, o aceno é importante para manter o sonho de ser o “escolhido” pelo presidente para a vaga de vice na chapa presidencial de 2022 ou o nome do bolsonarismo para o Senado, onde a briga de foice seria com outro ministro, Rogério Marinho.

Uma farsa a mais em um governo já tão íntimo das trapaças e mentiras.

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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