OPINIÃO

Mundos paralelos

A grande massa de informação que diariamente e a todo o momento inunda as nossas vidas, parece que está transformando o brasileiro, que anda vivendo literalmente, em mundos paralelos. Principalmente depois que os aplicativos de conversas ganharam os smartfones, deixando os lugares distantes cada vez mais nas nossas cozinhas, e ofertando uma infindável variedade de opções e oportunidades para todos os gostos, de acordo com o entendimento – se assim podemos dizer – de cada pessoa.

A realidade está ganhando contornos dramáticos, principalmente num país que passou a enxergar a vida como uma extensão política do quintal de cada um. Essa situação é acelerada também por parcelas da mídia, interessadas no confronto de opiniões divergentes, mas prevalecendo sobretudo, o interesse individualizado ou de determinados grupos, num jogo muitas vezes espúrio que grande parte da população passa a acreditar e a seguir como se absoluta essas verdades fossem.

Nas últimas semanas, e ainda sob o forte impacto da pandemia que muitos insistem em relativizar, minimizar ou mesmo acreditar que não passa de uma gripezinha, pesquisas de opinião foram realizadas, apresentando uma realidade que muita gente, principalmente nesse tal universo da blogosfera e portais de gente que se presta a ser língua ou escriba de aluguel, teimam em não acreditar, questionando os números e, como sempre acontece quando não querem aceitar, desqualificam as pesquisas e os institutos que as realizam.

As pesquisas, principalmente sobre como pensa o brasileiro sobre a pandemia, as medidas tomadas por prefeitos, governadores e a União, têm apresentado a realidade de quem efetivamente sente na pele o temor do terrível e invisível vírus. A maioria das pesquisas apontam que o brasileiro acredita na quarentena e no isolamento social. Isso é fato. E indiscutível. Nem tanto, caros leitores. Nem tanto.

O universo dos descontentes, aqueles que acreditam que o caminho é escancarar as portas da economia, deixar a economia liberalizante fluir e dominar o cenário em detrimento da saúde e da vida das pessoas, passaram a questionar com maior veemência essa realidade apontada nas consultas de opinião.

As redes sociais, esse universo beligerante que também se transformou numa máquina de produzir idiotices, inundaram os aparelhinhos dos brasileiros com memes, postagens absurdas, defesas intransigentes de um único modo de pensar e ataques os mais variados, aos governantes que continuam pautando suas decisões nos critérios científicos da OMS, tentando assim, passar uma realidade que confronta diretamente a opinião do cidadão comum, aquele que aleatoriamente responde as pesquisas e com isso, nos mostra o quadro real do pensamento e opinião.

A guerra partidária que ganhou nesse território midiático o espaço ideal para bizarrices, está transformando o imaginário em real e confundindo a realidade em eventos que deixam, à primeira vista, qualquer um indeciso e desconfiado de suas próprias opiniões.

Tudo provocado por um exército de pessoas que continuam acreditando em suas próprias e nas idiotices de quem, deliberadamente, busca com argumentos os mais diversificados e absurdos, mostrar que o mundo não é o que vivemos, mas o que eles desejam que fossem, transformando assim a realidade em verdades paralelas.

Entre o imaginário das redes sociais e a realidade do cotidiano de todos nós, continuo firme, acreditando que a verdade, ainda que escamoteada, é o que prevalece. Sempre.

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