OPINIÃO

Na guerra das falsidades, perdemos todos!

Parece que foi ontem (ou anteontem). A Polícia Federal finalmente concluía o relatório da fase Triplo X da Operação Lava Jato e indiciava a verdadeira dona do apartamento. Foi exatamente no dia 18 de agosto. De 2016! Só que, neste 18 de agosto, o primeiro fim de semana da campanha eleitoral, a notícia se espalhou nas ondas da internet. Tinha até um vídeo de uma deputada para confirmar a “novidade”.

Bastava um clique em uma das notícias que chegavam para descobrir que a informação estava fora de contexto, mais precisamente dois anos. Ora, quem já viu um relatório ser concluído depois da ação ter sido julgada em primeira e em segunda instância e o principal acusado sem provas estar preso injustamente? É que, no oceano de informações onde navegamos, ainda precisamos calibrar as bússolas e radares para reconhecer o que é informação e o que desinformação.

Estudo do Edelman Trust Barometer revelou que 67% dos brasileiros tem dificuldades em diferenciar o bom jornalismo – seja lá o que isso for – dos rumores e mentiras. Em outra pesquisa, a consultoria Idea Big Data, descobriu que 45% dos brasileiros não têm ideia do que significa a expressão “fake news” e que 83% dos internautas brasileiros têm medo de espalhar mentiras pela rede.

E são muitos os tipos de “mentira” que nos chegam a toda hora pela internet. Enquanto Trump espalha “fake news” para todos os lados, a União Europeia preferiu classificar a boataria em três categorias: a “desinformação”, as “informações ludibriadoras” – que pode ser o caso do nosso fim de semana – e as “notícias fraudulentas”. E se nem tudo é “fake news” – especialmente quando é o Trump quem fala –, não basta ter medo para se proteger da desinformação.

É que a desinformação pode aparecer em muitos formatos, inclusive, em formato de jornalismo, de propaganda eleitoral, num print do twitter – ou num fake bem disfarçado no twitter. Mesmo que os manuais para detectar fake news sejam úteis, não serão suficientes para sair ileso. Talvez a única e melhor saída é se informar ativamente cada vez mais.

Por mais comum que seja, se informar pelas redes sociais, pelo whatsapp, é o caminho mais simples para cair na roda das boatarias – sem falar que assim ficamos à mercê do misterioso algorítimo de Mark Zuckerberg. A saída é escolher boas fontes de informações como iniciativas autônomas de jornalismo, blogs de jornalistas experientes, ou até mesmo grandes jornais nacionais e internacionais (alguns têm edições brasileiras). Depois, é preciso entender qual o viés apoiado por cada uma dessas fontes (especialmente os grandes jornais) para poder interpretar suas informações. Por fim, não espalhe informações de fontes duvidosas, mesmo que a notícia pareça boa para você ou para o seu candidato.

Afinal, a indústria da desinformação está funcionando a todo o vapor nessas eleições, seja na direita, seja na esquerda.

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Jornalista, produtor e aprendiz de fotógrafo