OPINIÃO

Na véspera do golpe, Brazil é assombrado por nova ruptura

Vamos começar colocando uma coisa bem clara: nunca existiu “tradição democrática” dentro das forças armadas brasileiras. Lembremos que a monarquia caiu devido a um golpe militar e que os tenentes colocaram o Exército dentro da política a partir de 1922 e não mais saíram. Quer de forma direta, tutelando e apoiando ostensivamente o Golpe de 1937, quer exercendo a pressão sobre o Executivo, como fez de 1947 a 1964; ou simplesmente tomando o poder e impondo uma ditadura entre 1964 e 1985.

As forças armadas, de 1988 até 2016, permaneceram com uma “focinheira democrática”, já que, em qualquer país do mundo, quando elas saem do controle político, arreganham os dentes e interferem na luta política, sendo que levam muita vantagem, pois tem tanques, aviões e navios à sua disposição. Em todos os países com a democracia mais avançada, as forças armadas são postas no seu devido lugar: o de força estatal que está sob o comando da Constituição.

Depois do Golpe de 2016, quando as bases da democracia liberal representativa foram destruídas, o assanhamento militar começou, de novo, a querer voltar a se meter na política. Alguns generais foram importantes para retirar Lula da corrida presidencial, pressionando o Supremo Tribunal Federal (STF) e apoiando ostensivamente o Mandrião, que acabou sendo eleito e como contrapartida, entupiu o aparelho de Estado de militares, principalmente no ministério da Saúde, chefiado pelo general bufão Pazuello, e o resultado está à vista de todos.

Até as pedras sabem que Bolsonaro sonha numa “Marcha à Roma”, como fez Mussolini em 28 de outubro de 1922, quando sua milícia, auxiliada pelos militares, tomaram as ruas de Roma, forçando o rei Vítor Emmanuel III a nomeá-lo primeiro-ministro e ele acabou implementando a ditadura fascista, precursora do nazismo, e que caiu apodrecida em 1943, tendo Mussolini sido enforcado em abril de 1945 e seu corpo exposto de maneira vergonhosa em praça pública.

O bolsonarismo fascista, miliciano por natureza, aposta suas fichas no caos e nisso Bolsonaro é especialista. Chafurda, mente, provoca e ameaça. O aparelhamento do Estado, feito pelo presidente, faz parecer os governos petista e até do PSDB, gestões de monges tibetanos. O PT sempre foi acusado de “aparelhar o Estado” e vendo o que estamos vendo, parece uma piada de mau gosto.

O “chafurdista juramentado”, percebendo seu enfraquecimento devido ao caos instalado na saúde pública e na economia, decidiu partir para o ataque e agora remonta o ministério com auxiliares diretos, totalmente subalternos aos seus sonhos ditatoriais e sobrou para o ministro da Defesa e do comando das Forças Armadas, que foram empurradas para fora do governo e agora o banzé ficou instalado.

Não é uma coisa fortuita. Sua malta alinhou-se rapidamente e começou a escalada de ações nas redes sociais, incitando as polícias militares a tomar o poder pela força. O Mandrião, sem nenhuma preocupação com os milhares de brasileiros que morreram, morrem e morrerão vitimados pela COVID-19, se lança a um esforço de sobrevivência, já que está literalmente enfrentando a resistência de setores que o apoiaram inicialmente.

É emblemático que esse azabumbado se dê às vésperas do dia em que os quartéis costumam comemorar um golpe de Estado, o que já significa que ainda não aceitaram a democracia, mesmo a limitadíssima liberal representativa, e teimam em serem reconhecidos como “elementos da ordem” e da “defesa da nação”, o que me leva a crer que o Mandrião G-E-N-O-C-I-D-A que usar o dia para fazer barulho.

Não sou pitonisa para saber o que acontecerá nos próximos dias, mas fica claro que as ações do presidente revelam seu desespero em sair das cordas em que está, na esperança que dê um nocaute na democracia e instale uma ditadura reacionária e medieval.

Será que o Mandrião ligou para Mianmar (antiga Birmânia), onde em 1° de fevereiro desse ano ocorreu um sangrento Golpe Militar, deflagrado pelas forças armadas e conversou com o general Min Aung Hlaing, que liderou o golpe pedindo umas dicas.

Lamentável que o país esteja no esgoto da história, quando não temos política de enfrentamento da pandemia; temos um arremedo de orçamento, aprovado 4 meses da data em que deveria ter sido implementado; a fome e a miséria se espalhando feito vento, por todos os rincões desse país; e um cenário sombrio em que poderemos chegar a 400 mil mortos ainda em maio.

 

 

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