DEMOCRACIA

“Não acredito em conspiração da esquerda para dominar a universidade”, diz Luiz Felipe Pondé  

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O filósofo, professor e escritor Luiz Felipe Pondé abriu a programação de debates da Casa Folha nesta quinta-feira (11) durante o Festival Literário Internacional de Paraty, que acontece até domingo (14). Polêmico, ele falou sobre temas que costuma se debruçar na coluna semanal que assina no jornal Folha de S.Paulo.

Uma das áreas preferidas de atuação do filósofo é o comportamento humano. E Pondé começou explicando o título da mesa “Quebrando o coro dos contentes”, que tem relação com o início da experiência de escrever para o jornal:

“Quando o Octávio Frias Filho me chamou para escrever às segundas-feiras na Folha, ele me pediu para quebrar o coro dos contentes, para ir na contramão”, disse.

Crítico da esquerda e também da direita brasileira, Pondé citou o termo “inteligentinhos” criado por ele para se referir aos ativistas dos dois espectros ideológicos:

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“Inteligentinho de direita são aquelas pessoas que acham que o país não precisa das instituições e adoram mitos. Já os inteligentinhos de esquerda são aqueles que acham que vão mudar o mundo sozinhas e se acham mais inteligentes que os demais”, disse.

Luiz Felipe Pondé se define como um liberal nos costumes e na economia. E um conservador em relação às mudanças políticas:

“Simpatizo com a posição liberal em costumes, o que significa dizer que elas devem decidir com quem dormem, o que vão fazer. Sou liberal na economia também e conservador no sentido de desconfiar de grandes mudanças. O conservador é um cético em termos de política. Me vejo como cético em termos de política e comportamento humano. As virtudes são tímidas, ela não fala de si mesma. Quando alguém disser que é ético, coloque a mão na carteira”, afirmou.

Pondé é professor de filosofia da PUC e da FAAP, em São Paulo. Na Flip, também disse o que pensa sobre a suposta dominação da esquerda brasileira sobre as universidades, atualmente sob ataque do governo Bolsonaro:

“Não acredito que exista uma conspiração da esquerda para dominar a universidade. Não vejo a realidade como um conjunto de pessoas a quem se deva combater até o ar que respira. Nunca usei a expressão marxismo cultural. A universidade é excessivamente devorada pela burocracia institucional”, disse.

Luiz Felipe Pondé se define como liberal nos costumes, na economia e cético na política (foto: Rafael Duarte)

As redes sociais também foram assunto do filósofo que nasceu em Pernambuco, mas construiu a trajetória profissional em São Paulo. A agressividade da militância virtual pelas redes fez Pondé lembrar de um amigo jornalista que, segundo ele, pensa duas vezes antes de escrever:

“No momento em que um jornalista escreve com medo da reação do público ele acabou. Pelo menos como um intelectual público”, comentou.

Admirador do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues, a quem define como “o maior moralista da literatura brasileira”, Pondé provoca a esquerda:

– “Às vezes me sinto mais marxista que a esquerda. A esquerda de hoje veio da universalidade americana. Por isso é um produto, como o IPhone”, disse.

 Questionado sobre como via o comportamento dos jovens de hoje, Pondé disse que os vêem triste e imaturos:

“A vida é pra ser desperdiçada”, disse.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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