OPINIÃO

Não viraremos uma Venezuela! Talvez viremos Chile ou Argentina…

Hoje se sabe com mais clareza (e certeza) que o (des)Governo Bolsonaro foi eleito com base na prisão do líder das pesquisas após processo judicial suspeito, em fake news e disseminação profissional delas, e também na construção de “fantasmas” e “inimigos imaginários”. A Venezuela era um deles.

No imaginário da campanha bolsonarista, a Venezuela era – junto com Cuba – o pior dos mundos, o parâmetro na qual se media o que não poderíamos nos tornar. E claro que quem nos transformaria na Venezuela, este inferno na Terra, seria o “comunismo” do PT (já que a Venezuela é “comunista” com Maduro). Muita gente, inclusive das minhas relações, citou o perigo de que o “Brasil não virasse uma Venezuela” como razão para “não votar no PT”, ou seja, em quem estivesse no lado oposto, ou seja, finalizando o encadeamento, em Bolsonaro.

Mas, menos de um ano após a posse de Bolsonaro estes “inimigos imaginários” começam a se esfarelar, junto com a Economia, a Diplomacia, a Amazônia e tudo o mais. Primeiro porque parte da população, mesmo entre eleitores circunstanciais do “mito” perceberam que não havia o risco do Brasil “se tornar uma Venezuela” e nem a Venezuela, com seus defeitos, problemas e contradições, é o pior dos mundos. E em segundo, porque alguns países vizinhos de política tão liberal e “anticomunista” como a de Bolsonaro e Paulo Guedes começaram a naufragar diante de nossos olhos.

É o caso da Argentina, de Macri, saudado como “herói do liberalismo” pela imprensa brasileira e que hoje amarga ter deixado a Argentina em situação muito pior do que encontrou e esyá prestes a perder a eleição para o progressista Fernandez (que tem Cristina Kirchner, odiada pelos bolsonaristas por ser “comunista”, como vice).

E agora, mais ainda o caso do Chile, que se vê às voltas com uma convulsão social violenta, com mortes e incêndios. Logo o Chile, cuja Previdência supostamente modelo era e é tão elogiada por Paulo Guedes e cujo presidente, o direitista Piñera, é parceiro ideológico de Bolsonaro.

É certo que o bolsonarismo/olavismo não contava com o caos na Argentina, no Chile e ainda no Equador, também sob governo de Centro-Direira liberal. O problema de criar, por razões eleitorais e/ou de manipulação de massas, inimigos imaginários e realidade paralela e que facilmente as coisas podem sair do controle. Como estamos vendo agora. Parecia tão cômodo para o bolsonarismo brincar de fiscalizar as fronteiras com a Venezuela e ajudar os refugiados. Mais cômodo que entender porque o Chile está pegando fogo se as reformas lá são idênticas as que Guedes quer implantar no Brasil.

Saindo um pouco do assunto, também chama a atenção a máscara que cai do bolsonarismo combater as “ditaduras venezuelana e cubana”. Na verdade,o problema desse pessoal é com o Comunismo, não com ditaduras. Tanto que Bolsonaro e filhos mantém relação amistosa com Bin Salman, filho do ditador da Arábia Saudita, que serrou e diluiu em ácido em jornalista. Mas, não é comunista.

No frigir dos ovos, estamos mais perto de virar uma Argentina (pela crise econômica e recessão) e um Chile (se começarem protestos de rua vilentos como os registrados em 2013) do que de uma Venezuela, que mal sabemos realmente o que é e como funciona. Eleger-se com inimigos imaginários é mais fácil do que governar com eles.

 

 

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