TRANSPARÊNCIA

Natal foi responsável por mais de 44% dos óbitos por covid no RN em março

Natal continua sendo o epicentro da epidemia por covid-19 no Rio Grande do Norte. No mês de março, a capital foi responsável por 44,29% das mortes ocorridas no estado causadas pela doença. São 408 óbitos confirmados e esse número pode aumentar, já que ainda há casos em investigação.

Até o momento foram somadas 921 vítimas. A segunda cidade com maior número de mortes em março foi Parnamirim, com 81, seguida de Mossoró, que registrou 50, e São Gonçalo do Amarante, 49. Ceará-Mirim teve 22; Assu, Macaíba e Santa Cruz, 17, cada.

O estado acumula 4.835 óbitos desde o início da pandemia e 205.249 casos confirmados.

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) Rodrigo Silva esclarece que a grande diferença entre Natal e os demais municípios não se restringe ao fato de ter a maior população. Parnamirim e Mossoró têm aproximadamente um terço da população da capital, mas apresentaram em média um quinto e oito vezes menos óbitos, respectivamente.

Segundo ele, para essa comparação, é preciso fazer análise da construção social de cada lugar, além de observar a gestão da pandemia, quais políticas são adotadas para mitigar a transmissão do vírus SarsCoV-2.

“Natal tem um comércio muito mais agitado. O Alecrim por si só movimenta milhares de pessoas por dia e sempre foi um ponto muito questionado. É só um exemplo. Não estou colocando a culpa no Alecrim. A gente tem muito mais bares, restaurantes, shoppings, locais onde se promove maiores aglomerações”, explicou, citando também a política adotada pela Prefeitura de distribuição do kit covid, uma série de medicamentos comprovadamente se eficácia para a doença.

Rodrigo Silva completa que se considerada a rede assistencial, Natal deveria concentrar menos vítimas de covid, visto que o maior número de leitos se concentra em Natal e na região Metropolitana.

“Em tese, esses óbitos não deveriam ter ocorrido nessa intensidade. Natal errou em algum momento. Se fosse apenas a proporção populacional, Parnamirim deveria ter 200 óbitos”, detalhou.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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