OPINIÃO

Nem Messias, nem Judas

Durante toda a campanha eleitoral de 2018 tivemos de aguentar memes e marketing eleitoral de Jair Bolsonaro com o uso do nome do meio dele, Messias, indicando que ele seria o candidato escolhido por deus (no que parte considerável das igrejas evangélicas embarcaram) e que possivelmente salvaria o Brasil dos “comunistas do PT”.

Dois anos depois vemos na prática o que já sabíamos, que de Messias, Jair tem apenas o nome, pois ele não tem nenhuma vocação para trazer nenhuma boa nova, muito pelo contrário. Sua postura é de cavaleiro do apocalipse, principalmente diante de uma pandemia com a morte de 330 mil brasileiros até esta segunda-feira.

Nestes dias de semana santa percebi nas redes sociais que na tradição habitual da  “malhação do Judas” diversos bonecos fantasiados como Bolsonaro foram amarrados em postes e estacas de madeira e linchados em todo o país. Não curti, primeiro porque desgosto da prática da malhar o boneco do Judas na Semana Santa. Desde que assisti a “Jesus Cristo Superstar”, aos dezesseis anos, e depois após diversas pesquisas, que repenso o papel de Judas na história de Cristo, afinal, Judas “traiu” Jesus para que cumprisse o que estava escrito, no que o próprio Jesus teria afirmado.

Segundo que não me agrada ver linchamento de Bolsonaro. Quero ver Bolsonaro e seus filhos, como todos os políticos pelo qual tenho desprezo, vivos e com muita saúde para perderem eleições e serem devidamente presos (mas com julgamentos justos e crimes com provas) e assim entrarem na lata de lixo da História.

Terceiro ponto: não vejo comparação alguma entre Judas e Bolsonaro, conforme tanta gente escreveu nas redes sociais. Como escrevi acima, Judas teria traído Jesus em comum acordo, para que cumprissem as profecias, o que está escrito nos próprios evangelhos.

Já Bolsonaro não traiu absolutamente ninguém. Ele jamais disse que faria um Governo progressista, pró-desenvolvimento e pró-vida. Pelo contrário, seu discurso sempre foi de morte. Prometeu facilitar acesso da população a armas e vem se esforçando para cumprir isso. Falou que morreu pouca gente durante a Ditadura Militar e hoje ele faz o que pode (por ação ou omissão) para que centenas de milhares de brasileiros venham a óbito por Covid ou consequências afins.

Enfim, Bolsonaro é genocida, canalha e inepto. Mas, não Judas. Não traiu ninguém, nem teve nem jamais terá a nobreza deste de fazer com que se cumprisse o que estava escrito e tirasse a própria vida em um gesto de desespero e arrependimento. Que aliás, são sentimentos inexistentes em sociopatas. Deixem Judas em paz. E não o comparem a um assassino.

 

 

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