CIDADANIA

Neurociência na escola: Instituto do Cérebro lança curso gratuito para professores das escolas públicas do RN

Como funciona a memória? Por quê os batimentos cardíacos aceleram quando sinto determinadas emoções? Essas e outras questões despertam a curiosidade de qualquer ser humano, mas ganham ainda mais força no período da adolescência, quando o corpo todo se transforma e a vida ganha novas perspectivas. Esse pode ser um ótimo incentivo para a aproximação com os fundamentos científicos. Por isso, o Instituto do Cérebro (ICE) da UFRN lançou um projeto de extensão destinado a repassar técnicas e formas de trabalhar a neurociência com alunos do ensino médio.

São 20 vagas ofertadas para um curso de 8 aulas, oferecido virtualmente. Podem participar professores da rede estadual de ensino de todos os municípios do Rio Grande do Norte. As inscrições para o Laboratório Aberto estão abertas até o dia 30 de julho, no site do Instituto do Cérebro. Para concorrer a uma das vagas, basta preencher um formulário e escrever uma carta de intenção indicando motivações para participar do curso.

“A ideia é pegar essa fama que a neurociência tem de ser uma coisa descolada, interessante, que comunica com os diversos anseios que os estudantes de ensino médio têm”, explica Cláudio Queiroz, doutor em neurologia e coordenador do ICE.

As experiências já foram levadas a escolas de Natal em diversas ocasiões, mas a equipe percebeu que faria mais sentido investir na formação de professores para que eles mesmos pudessem estabelecer práticas científicas de acordo com os calendários de cada disciplina. Além da questão logística, tendo em vista que os docentes já estão nas escolas, há também uma preocupação com o vínculo dos estudantes a quem está propondo às atividades.

Atividades promovidas pelo ICE são voltadas a construção de uma cultura científica nas escolas. Na imagem, aluno monta uma pilha voltáica utilizando moedas de cobre e arruelas de zinco. Foto: Cedida.

“Os professores são as pessoas que atuam no dia a dia das escolas e, para nós, não fazia mais sentido ficar indo até as instituições fazer uma atividade que entretém as pessoas, mas depois ir embora e, muitas vezes, o professor fica sem saber como tocar esse projeto a partir de então”, diz Queiroz, destacando que uma das principais dificuldades para estabelecer a cultura científica nas escolas é, além da falta de estrutura, o desconhecimento dos docentes para quais práticas podem ser implementadas.

O Laboratório é dividido em seis grandes temas: Bioeletrogênese, Brincando com os sentidos, Movimento e ação, Memória e esquecimento, Emoções e o controle do corpo, além de Atenção e consciência.

Em Bioeletrogênese, Queiroz, que também é professor da UFRN, conta que a ideia é mostrar como o cérebro é um órgão elétrico. Assim, grande parte da energia que consumimos é para a manutenção e produção desse órgão.

Como enxergamos, ouvimos, percebemos o tato e como todos esses sentidos separados compõem uma percepção única são as ideias trabalhadas no segundo módulo.

O terceiro tema aborda formação dos movimentos do corpo, desde os quase imperceptíveis, como o dos olhos, até movimentos mais amplos, como os dos membros inferiores e superiores.

Em Memória e esquecimento, a ideia é apresentar práticas sobre o funcionamento do nosso reduto de informações, trabalhando inclusive técnicas de memorização e indicando características que possam prejudicar a absorção de informações.

“Sempre que se vai falar de neurociência, os alunos reclamam que têm uma memória péssima. Mas será possível quantificar a qualidade da memória? Temos algumas atividades práticas que mostram como fazer isso”, adianta Cláudio.

Razão e emoção não são antagônicas e atuam juntas no nosso processo de tomada de decisões, defende o professor. Por isso, na proposta Emoções e controle do corpo, serão apresentadas ideias sobre os sinais emocionais humanos, principalmente os relacionados ao período da adolescência.

“Os adolescentes estão passando por um momento de grandes transformações emocionais. São os primeiros relacionamentos formados e muitos jovens têm dificuldade com a timidez. Será que falar desse assunto, por meio de atividades práticas que quantifiquem medidas fisiológicas do corpo, como, por exemplo, frequência cardíaca, tensão muscular será que isso pode ajudar as pessoas a entenderem suas próprias emoções e a serem mais felizes com isso”, questiona.

Por fim, o último tema aborda os aspectos relacionados a atenção e consciência, indicando formas de colocar “os recursos cognitivos a serviço de um processamento”, como define Queiroz.

A proposta do curso é usar a curiosidade que os estudantes têm por neurociência para aplicar atividades práticas científicas nas escolas, explica Cláudio Queiroz, coordenador de Ensino do ICE. Foto: Cedida.

O mundo enfrenta uma série de desafios em todas as áreas do conhecimento. Mas a descrença na ciência tem ganhado espaço nos últimos anos. Teorias da conspiração, notícias fraudulentas e informações descontextualizadas têm atrapalhado a vida das pessoas principalmente agora, em meio à pandemia de Coronavírus. O Laboratório Aberto do Instituto do Cérebro lança-se também como alternativa para fomento da criticidade e do conhecimento científico na formação educacional dos estudantes de escolas públicas.  Isso contribui, segundo Queiroz, tanto para aumentar o leque de oportunidades para esses jovens, como para a criação de uma cultura científica nas escolas.

“Não é simplesmente receber as informações que o professor te dá, que o mundo te joga, sem refletir sobre o que de fato isso significa. Isso, no nosso entendimento, é a cultura científica. A capacidade de olhar para o mundo de maneira crítica e refletir sobre as coisas que estão acontecendo ao seu redor”, conclui.

Confira mais informações sobre o Laboratório Aberto – Formação e divulgação científica em neurociência na escola clicando aqui.

 

 

 

 

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