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Nome aos bois: deputada do PSL denuncia milícia virtual com dinheiro público em favor dos Bolsonaros

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A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) denunciou a utilização de recursos públicos da ordem de R$ 500 mil reais por parte do “Gabinete do Ódio” em redes de milícias virtuais para defesa do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido). A ex-líder do governo no Congresso participou de audiência na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, na qual mostrou uma apresentação de Power Point com capturas de telas que relatam conversas do grupo do Gabinete no Instagram. A parlamentar detalhou como funcionava o esquema das milícias bolsonaristas e denunciou os integrantes, dentre os quais estão o vereador Carlos Bolsonaro e os assessores Filipe Martins, Tercio Arnaud, José Matheus e Mateus Diniz, integrantes da ala da extrema-direita.

Joyce denunciou a existência de uma organização criminosa que funciona de “maneira coordenada” com a utilização de 1,4 milhão de robôs para defender o presidente e seus partidários. Ela afirmou que a equipe recebe cerca de R$ 491 mil para produzir notícias falsas e memes com o objetivo de atacar ex-aliados e desafetos. Sobre o funcionamento da milícia, a deputada indica que o gabinete publica as notícias falsas e depois apaga, com o objetivo de dispersar o conteúdo e dificultar o rastreamento até a fonte inicial.

Segundo apresentação obtida pela agência Saiba Mais, o grupo do Gabinete do Ódio, integrado por Carlos Bolsonaro e os assessores Filipe Martins, Tercio Arnaud, José Matheus e Mateus Diniz, utilizam dinheiro público para financiar os ataques digitais (IMAGEM: Reprodução)

As interações são feitas por pessoas reais e robôs, sendo que esses últimos, segundo ela, funcionam a partir de pagamento feito a empresas que revendem o serviço. “Para um disparo por robôs, uma hashtag, gasta-se vinte mil reais. De onde vem esse dinheiro? Nós não estamos falando aqui de trocados. Nós estamos falando de milhões”, atacou Joice.

Um dos exemplos foram os ataques coordenados ao ator norte-americano Leonardo DiCaprio, denunciado por Bolsonaro como sendo responsável pelas queimadas na Amazônia.

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“Eles tem uma tabela para fazer ataques coordenados em cada dia. Eles começaram esse trabalho construindo narrativas mentirosas. Eles passam da linha do que é aceitável e vão para o crime virtual. Eles usam sites laranjas para divulgar Fake News”, afirmou ainda a parlamentar.

Ela chegou ainda a citar dois deputados do PSL que deveriam ser investigados pela polícia. “Participação do Douglas Garcia e do Gil Diniz, isso merece uma boa operação da Polícia”, disparou.

Detalhamento do mecanismo de funcionamento do grupo (IMAGEM: Reprodução)

Joice também contou como seria método utilizado nesses ataques. Segundo ela, escolhe-se o alvo, combina-se o ataque, entram pessoas de verdade e, depois os robôs, para disparar as mensagens. “Em questão de minutos, temos uma informação espalhada para o mundo inteiro. A sensação que é passada é para que muitos fiquem aterrorizados com o levante da internet. Passou de todos os limites do bom senso. As agressões não são liberdade de expressão”, disse a parlamentar.

A rede social de Eduardo Bolsonaro, segundo a deputada, é uma das que mais influencia nos ataques, com a ajuda direta de assessores. O perfil “Bolsofeios”, por exemplo, foi citado como sendo do assessor de Eduardo, Carlos Eduardo Guimarães.

“Qualquer um pode ser alvo dos ataques, seja de direita, esquerda ou centro”, explicou a deputada. “Somos considerados traidores porque não entramos nesse jogo de ataques ou porque discordamos de algo”, afirmou. “Ajudei a eleger o presidente e parte da bancada. Meu objetivo é mostrar o fruto de uma investigação que fiz depois que virei alvo coordenado de ataques na internet coordenados, e, infelizmente, com dinheiro público”, completa.

ABIN paralela

A deputada chegou a informar que recebeu a informação de que o vereador Carlos Bolsonaro chegou a propor a criação de uma “Abin paralela” no Governo Federal, funcionando como um alternativo à Agência Brasileira de Inteligência do Brasil. Segundo a deputada, a agência clandestina teria como finalidade “grampear telefones e montar dossiês, investigar”.

Ela sugeriu que a comissão chame para depor o ex-ministro da Secretaria-Geral da República, Gustavo Bebianno, que teria informações completas sobre o caso e teria discordado da ideia de Carlos. “Foi um dos motivos do Bebianno ter tido problemas e saído do governo”, disse Joice.

Confira o depoimento

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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