OPINIÃO

Nota de repúdio contra o apresentador Ratinho

A Coordenação Nacional do Movimento Nacional da População de Rua-MNPR , vem se manifestar através desta nota publica de repudio contra as declarações prestadas à Rádio Massa FM pelo Carlos Roberto Massa, mais conhecido como Ratinho, onde este senhor se diz a favor da intervenção militar para melhorar a situação do Brasil, ainda afirma que o estado brasileiro deve fazer a higienização social da população em situação de rua, população essa que ele afirma serem “Mendigos”. O defensor da intervenção militar, vulgo Ratinho, e da higienização social da população em situação de rua nada mais é do que o retrato e filhote das elites dominantes que massacram, matam, criminalizam e desrespeitam os direitos humanos da população brasileira.

Figura pública – por ser apresentador de televisão, esta pessoa se coloca abertamente contra o que afirma a Constituição Federal que, em seu artigo 142, define que:

“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, Exército e Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, … destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais…”

O município de São Paulo, apesar de ser um dos carros chefe de nossa Nação, apresenta uma discrepância semelhante à brasileira, onde segundo dados do IBGE/Pnad, os 10% mais ricos detém 43,3% da massa de rendimentos, enquanto os 10% mais pobres ficavam com 0,7% da riqueza construída. Isso significa que o 1% mais rico tem um rendimento 36,1 vezes maior do que o rendimento médio da metade de baixo da pirâmide social.

Segundo o IPEA, existiam no Brasil 221.869 pessoas em situação de rua, no período anterior à Pandemia do Coronavírus. Especialistas atestam que este número deve ter crescido ainda mais em virtude da situação vivida neste último ano, garantidamente, mais de 35 mil destas pessoas em situação de rua encontram-se na cidade de São Paulo.

Ora, a proposta por ele defendida afronta a mesma Constituição Federal no que se refere ao seu artigo 5º:

Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” […]

O item XLIII, deste mesmo artigo, pontua que: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura […] por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evita-los, se omitirem. ”
Se o “cenário da pobreza” fere os olhos de uma parcela intolerante da sociedade – na qual este senhor se inclui, não se pode dizer que isso ocorre por ação ou omissão destes “mendigos”.

Limpar a cidade, sr. Ratinho, significa tirar dela a sujeira e elementos como o senhor que prejudicam a sociedade com suas palavras chulas.

Se procurar se aproximar, quem sabe o senhor perceba que “a rua é mais humana”, que as pessoas são solidárias e que posturas como a que demonstrou na sua Declaração só o desmerecem, se é que precisa mais.

A rua é mais humana uma coisa que vocês da elite não conhecem.

A Coordenação Nacional repudia esta sua fala indigna, desrespeitosa e discriminatória, que sem dúvida é inadequada para quem se diz profissional da comunicação.

São Paulo, 18 de fevereiro de 2021

Coordenação Nacional
Movimento Nacional População de Rua

 

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