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Bancada feminina do Senado critica declaração de Styvenson sobre mulher “merecer tapas” de PM e senador culpa imprensa

Depois do comentário feito durante uma live na qual o senador pelo Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos), afirmou que “não sei o que a mulher fez para merecer os tapas”, ao comentar a agressão policial contra uma mulher durante o atendimento de uma ocorrência de violência doméstica, a bancada feminina do senado federal emitiu uma nota de repúdio contra a declaração do senador potiguar.

No documento, as senadoras ressaltam que “O sentimento de indignação toma conta da Bancada Feminina do Senado Federal neste momento, em que fatos e relatos da prática de violência contra a mulher são retratados nos noticiários nacionais e nos chocam profundamente. Sentimento esse que ganha uma dimensão ainda maior quando a violência é justificada por agentes do Estado ou pessoas públicas que deveriam justamente nos defender e repudiar esse tipo de conduta. As palavras têm um peso ainda maior por envolver a manifestação de um colega nosso do Senado Federal, o Senador Styvenson Valentim. Nada pode justificar a validação de atos e condutas inadmissíveis que revelam a violência estrutural, cultural e histórica da nossa sociedade”.

Entre as senadoras que fazem parte da bancada feminina, está a potiguar Zenaide Maia (Pros).

O caso ao qual Styvenson se refere ocorreu em 15 de julho, no município de Santo Antônio, quando durante o atendimento a uma ocorrência de violência doméstica, um policial militar agrediu a vítima que chamou a polícia e a chamou de “cachorra”. A mulher, que segurava uma criança de colo, levou tapas na cara e chegou a cair no chão. O caso foi noticiado pela Agência Saiba Mais. As imagens foram registradas por pessoas que estavam na rua, no momento, das agressões. A mulher havia chamado a polícia por causa da agressividade do irmão, que chegou a quebrar objetos dentro de casa. Com a chegada da viatura policial, a mulher tentou intervir para que o irmão não fosse agredido, o que teria irritado o PM.

Diante da repercussão do caso, o Comando da Polícia Militar disse que afastou os policiais militares envolvidos no atendimento da ocorrência e a governadora Fátima Bezerra (PT) declarou que pediu apuração e punição imediata dos responsáveis. Além da governadora do Rio Grande do Norte, a postura de Styvenson também foi criticada por outras autoridades, artistas e pessoas menos conhecidas publicamente.

Comentários feitos por internautas na conta do próprio senador

Confira a nota de repúdio na íntegra:

NADA justifica o injustificável!

O sentimento de indignação toma conta da Bancada Feminina do Senado Federal neste momento, em que fatos e relatos da prática de violência contra a mulher são retratados nos noticiários nacionais e nos chocam profundamente. Sentimento esse que ganha uma dimensão ainda maior quando a violência é justificada por agentes do Estado ou pessoas públicas que deveriam justamente nos defender e repudiar esse tipo de conduta.

As palavras têm um peso ainda maior por envolver a manifestação de um colega nosso do Senado Federal, o Senador Styvenson Valentim. Nada pode justificar a validação de atos e condutas inadmissíveis que revelam a violência estrutural, cultural e histórica da nossa sociedade.

Todos nós, juntos, precisamos entoar nossa voz e reforçar nossa luta em defesa de todas as mulheres brasileiras e contra qualquer tipo de violência, seja contra quem for.

Por isso, repudiamos qualquer palavra ou ato que venha retroceder na luta que enfrentamos há tanto tempo, dentro e fora do Parlamento.

Nosso maior esforço, enquanto Bancada Feminina do Senado Federal, é pela construção de uma sociedade unida e livre de violência.

Lutemos juntos…

Bancada Feminina do Senado Federal
25 de julho de 2021.

Vídeo da agressão policial

A culpa é da imprensa…

Em uma nova transmissão em suas redes sociais neste domingo (25), Styvenson comentou a repercussão negativa de sua declaração e culpou a imprensa por retirar a fala de contexto. No entanto, o próprio parlamentar admitiu:

“…talvez eu tenha usado a palavra ‘merecer’ de forma equivocada. Realmente, nenhuma mulher merece violência”, comentou Styvenson que, logo em seguida, volta a repetir o mesmo raciocínio sobre ser justificável a agressão contra a mulher:

“A pergunta que eu fiz e tiraram do contexto foi: o que que aconteceu pra levar aquelas tapas, segurando criança e tudo? Se a mulher não fez nada, o policial precisa de uma internação pra saber o que está acontecendo com o juízo dele. Mas, é preciso ouvir o outro lado, perguntar: o que houve polícia? Você chegou batendo em todo mundo? Foi como isso? Que ocorrência foi essa? Era isso que eu queria saber”, completou o senador potiguar.

Durante o vídeo deste domingo, Styvenson chega a se vitimizar em alguns momentos ao citar que quando atendia ocorrências na madrugada, ninguém se importava em saber o que estava acontecendo com ele e que a fala sobre a mulher merecer os tapas era em referência “apenas” àquela mulher do vídeo e não às mulheres, de maneira geral.

É preciso aprender a ouvir as coisas, eu disse violência contra aquela mulher, naquela ocorrência. É bom que estejam gravando isso para recortar, porque esses blogs que eu não pago, essa imprensa que eu não dou um centavo, vem nessa live que faço com vocês e digo um monte de coisa boa…ninguém coloca. Mas, na hora que Styvenson fala alguma coisa, aí transforma”, reclama o senador falando de si mesmo em terceira pessoa e demonstrando não ter entendido a gravidade de sua fala na naturalização da violência contra a mulher.

Styvenson é capitão da Polícia Militar e se notabilizou pela postura de “linha dura” na realização de blitzen da Lei Seca em Natal. Foi nessa esteira da fama que ele acabou sendo eleito para uma vaga no Senado nas eleições de 2018.

 

 

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