OPINIÃO

Notas de Narciso

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Em meio a toda essa loucura brasileira que a cada dia ganha um novo componente, uma coisa boa surge. Não diria exatamente boa, mas que pode ser. Mas é uma possibilidade bem distante, pois uma coisa em que nos tornamos especialistas é em perder oportunidades.

Parece que finalmente o brasileiro encontrou a oportunidade de finalmente conhecer-se e começar a prestar contas com a sua história.

Aparenta que caminhamos ao ponto de não-retorno em que o brasileiro está entendendo que é e sempre foi violento, machista. Que odeia índio, pobre, preto e tudo que não for o dito padrão.

É o povo que há 400 anos bate palma para o morador de rua que é chicoteado, seja por ter roubado um punhado de farinha da cozinha ou uma barra de chocolate do mercado. Se antes só tinha os quadros de Debret, agora tem vídeo para compartilhar no grupo da família no “zap”. E que ainda comove-se mais com a morte de um animal, faz campanha, posta desenho e faz homenagem.

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Não adianta fingir surpresa, meu povo. Nós sempre fomos isso. Joaquim Nabuco, o abolicionista, já dizia que “a escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”. Imagino até que ele tinha esperança de que encarássemos isso, para superar depois de um tempo. Como nunca o fizemos, ela permanecerá por muito tempo mesmo.

Que possamos de fato, enquanto sociedade, olhar para o espelho como Narciso olhou para a fonte de água, deixando de acreditar que somos uma democracia racial ou qualquer coisa que o valha. E que compartilhemos o mesmo destino do mítico herói grego: renascer como flor.

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