DEMOCRACIA

Novo decreto estadual determina toque de recolher a partir deste sábado no RN e governadora fala em “cenário de guerra”

O novo decreto estadual que passa a valer a partir deste sábado (27) determina toque de recolher no Rio Grande do Norte entre 22h e 5 horas da manhã. Na prática, a nova medida significa que fica proibida a circulação de pessoas nas ruas do Estado neste horário inicialmente durante o período de 15 dias. As forças de segurança pública vão garantir o cumprimento das regras.

Bastante emocionada, a governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou as novas medidas no início da noite desta sexta-feira (26) e citou “cenário de guerra” no combate a covid-19:

 – A sociedade está sendo intimada, o cenário é de guerra, queremos a paz. Agora é todo mundo de mãos dadas. Vamos ficar em casa, vamos cuidar daqueles que mais amamos e superar esse momento crítico que não é só no Rio Grande do Norte, mas em todo o Brasil”, disse a governadora com a voz embargada.

 Fátima adiantou ainda que as aulas das redes pública e privada estão suspensas, com exceção das séries iniciais e do ensino fundamental 1. As atividades religiosas também não poderão acontecer. As igrejas e templos só poderão abrir para orações e atendimentos individualizados. Festas e eventos em espaços públicos e privados também estão proibidos. Questionada se o decreto vai obrigar o fechamento do comércio no Estado, ela disse que essa é uma área de jurisdição dos municípios.

“A sociedade está sendo intimada, o cenário é de guerra, queremos a paz. Agora é todo mundo de mãos dadas. Vamos ficar em casa, vamos cuidar daqueles que mais amamos”

A governadora cobrou o apoio da população e criticou o ritmo reduzido da vacinação do país:

– Precisamos do apoio e do engajamento da população. Não podemos ter qualquer sentimento que não seja o coletivo, o da solidariedade. Se nós tivéssemos um processo de vacinação mais acelerado, certamente o Brasil não estaria vivendo esse caos”, afirmou.

No momento da entrevista coletiva concedida pela governadora do Rio Grande do Norte, a taxa de ocupação de UTIs em Natal e na região Metropolitana ultrapassava 90% e a média geral no Estado era de 86%. Fátima citou a abertura de mais de 600 leitos no Estado, o equivalente a seis hospitais de campanha, mas lembrou que não basta apenas abrir leitos para frear a transmissão do coronavírus:

 – Não basta só abrir leitos de UTI. O Brasil enfrenta uma crise de abastecimento, uma crise de insumos. Os profissionais de saúde não aguentam mais. É preciso levar em consideração todo esse contexto. As medidas restritivas tem o objetivo de garantir distanciamento social, conter as aglomerações e a transmissibilidade do vírus. É preciso uma lição de solidariedade e amor. O que está em jogo é a defesa da vida”, encerrou.

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"