CIDADANIA

Número de mortes por Covid-19 em casas de repouso se mantém baixo no RN

A rápida propagação da doença e morte entre idosos em instituições de longa permanência, comum nos países que enfrentam a escalada dos número de casos de Covid-19, ainda não é uma realidade para o Rio Grande do Norte.

O Estado registra seis mortes em casas de repouso. Metade desses casos na capital potiguar. “Comparando com outras realidades, é um número positivo”, avalia Tamires Pinheiro, conselheira dos Direitos da Pessoa Idosa (CEDEPI/RN).

Ela alerta, contudo, para a necessidade de se ampliar as testagens, hoje insuficientes para que se tenha o controle da disseminação da epidemia com o isolamento dos idosos infectados. “Seria interessante fazer os testes pelo menos a cada 15 dias”, pontua Tamires.

A conselheira lembra o comportamento diferenciado dessa população no sentido de uma resposta imunológica. Isso porque, o quadro clínico entre os idosos, especialmente aqueles com mais de 80 anos, é silencioso, e eles não fazem necessariamente febre.

E o risco maior de morte não é a única ameaça sofrida da COVID-19 às pessoas idosas. “Elas estão sofrendo também “pelo isolamento social e as questões de saúde mental que as cometem”, afirma Pinheiro.

Os idosos, que representam hoje cerca de 11% da população brasileira, já enfrentavam, antes da pandemia, mas agora de forma mais evidenciada, uma discriminação pela idade avançada e, por isso, precisam de proteção específica de direitos.

Uma forma de violência simbólica que tem experimentado o crescimento num país em que o próprio Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), além de propagar falas preconceituosas, afirma não ser papel do Estado proteger essa parcela da população.

Mas não é o que afirma Tamires Pinheiro. Para a conselheira a proteção às pessoas idosas é um dever conjunto dos familiares, da sociedade e do Estado. Um direito garantido pela Constituição Federal. “A Família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”, traz em seu artigo 230.

O Rio Grande do Norte é um dos estado com maior número de violências no Barsil. Até 2018 era o segundo colocado no número de denúncias pelo Disque 100, um serviço de recepção de violações a direitos humanos.

“E a negligência, que é justamente essa omissão de cuidados por parte dos familiares, de não garantir alimentação adequada, cuidados com a saúde e a higiene, acesso à medicação, é o tipo de violência mais comum”, revela Tamires.

77% dos casos denunciados estão associados a negligências. A capital potiguar lidera o número de denúncias, com quase metade dos números, mas as denúncias estão disseminadas em todo o Estado. E em 95% dos casos, a violência acontece dentro de sua própria casa.

Para esses casos, além do Disque 100, no RN é possível fazer a denúncia pelo canal da Coordenadoria de Defesa da Mulher e das Minorias (CODIMM), através do 0800-281-2336.

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