OPINIÃO

O “bolsonarismo” está se esfarelando e só não vê quem não quer

O brizolismo, no Rio de Janeiro, foi forte durante uma década e meia, fazendo prefeitos e governadores mesmo após Leonel se aposentar politicamente. O tucanato governou o país por 8 anos e mantém o poder no Estado de São Paulo há duas décadas e meia. O lulismo, ou lulo-petismo, ganhou 4 eleições presidenciais seguidas e hoje comanda a maioria dos estados do Nordeste.

Macro-projetos políticos podem não ser eternos, mas tem lá seu tempo, abrindo leques de poder e se firmando politicamente em áreas e segmentos. Contudo, o chamado “bolsonarismo”, nascido na pré-campanha eleitoral de 2018 com a aceitação por parte da população da pauta truculenta (e antipetista) de Extrema-Direita e trapalhadas da Direita moderada (leia-se PSDB e DEM), periga não durar um único ano. Em maio de 2019 ele já dá mostras de desgaste e esfarelamento.

A preço de hoje, o Governo Bolsonaro sofre mais ataques dos aliados e apoiadores do que da Esquerda. Exemplos surgem às dezenas: o filho vereador Carlos gera crises quase semanais ao criticar e ironizar aliados do pai pelo Twitter; o “guru” Olavo de Carvalho ofende generais que são fiadores do Governo e gozam de prestígio nas Forças Armadas.

Já vimos também Alexandre Frota criticar o PSL, partido do presidente que lhe dá (em tese) sustentação; Joice Hasselman, líder do Governo, brigar e ofender deputados com os quais ela deveria dialogar.

Mas, esses ainda estão no barco. Há os que ensaiam pular fora, como Janaína Paschoal, que vem há tempos criticando o PSL e o próprio MBL, movimento “apartidário” (permissão para riso) que vem se afastando do “mito”. Um dos seus líderes, Kim Kataguri criticou a realização de protesto pró-Bolsonaro no dia 26 e foi chamado de “comunista” e “traidor” pelos bolsonaristas radicais, os “bolsominions”.

Parte da imprensa que bancou a candidatura Bolsonaro, ao igualá-lo a Haddad, por exemplo, como Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo, Veja e mesmo o site Catraca Livre, agora produzem editoriais espezinhando o Governo e sua total falta de ação, de diálogo e de capacidade, além do flerte com a Ditadura.

Mesmo nas redes, parte dos apoiadores não-bolsominions do “mito” vem se mantendo silenciosa, o que já é uma forma de “mostrar arrependimento” discreta, oportunidade, inclusive, de se dialogar com esse pessoal (alguns milhões de pessoas e de votos), que vem sendo perdida pela militância de Esquerda que prefere a doce vingança (Eu avisei, faz arminha que passa) do que dialogar e fazer política, mas isso é história para um outro texto.

Entre gente com trânsito em Brasília com quem conversei, a aposta é que Bolsonaro mal chega ao meio do ano que vem. O fato é que o “bolsonarismo” se sustentava em bandeiras bem frágeis (armar a população como forma de diminuir a violência, mas sem a população sequer ter ideia de quando custa uma arma).

Sim, o “bolsonarismo” está ruindo. Possíveis descobertas de ilícitos do filho Flávio com milicianos e dinheiro ilegal poderão tornar a situação ainda mais delicada.

Resta saber como será o “pós-bolsonarismo”. Cartas para a redação.

 

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