OPINIÃO

O Brasil virou “Bacurau”; com Tony Júnior na presidência da República

“A gente está sendo atacado”. A frase do personagem Lunga, vivido por Silvero Pereira, se tornou uma espécie de símbolo e slogan do filme “Bacurau”, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. No longa, premiado em Cannes e elogiado em todo o mundo, a comunidade não sabe exatamente de onde vem o período mortal (o expectador sabe, a população da cidade, não) e inicia um confinamento para, só depois, reagir.

Claro que a analogia não é exata, afinal, em “Bacurau”, o inimigo depois se tornou visível (os “caçadores de humanos “americanos e europeus) e passível de ser atacado e vencido. O Coronavírus é um inimigo invisível durante todo o tempo e contagioso. Mas, a analogia do confinamento é possível, tanto “Bacurau” está em lista do jornalista Steve Rose no The Guardian, de Londres, entre os melhores filmes que falam sobre confinamento e isolamento de alguma maneira, ao lado de clássicos como “O anjo exterminador” de Buñuel e “Repulsa ao sexo”, de Polanski.

No longa, a reação e enfrentamento só é possível com o confinamento voluntário e coletivo. Antes do clímax do filme, os personagens que “furam” o isolamento, um casal de meia idade que tenta fugir de carro, são mortos a tiros no meio da estrada.

É isso. O isolamento social que vivemos todos hoje, em escala global, assim como no filme, é a maneira de sobrevivermos.

Ainda sobre o longa, ainda sobre analogias: Quando assistirmos o filme pela segunda vez percebemos que na cena inicial, quando os personagens de Barbara Cohen e Rubens Santos estão no caminhão indo para a cidade de Bacurau, eles passam por cima de um caixão, que caiu estranhamente de uma caminhonete.

Somente no final do filme sabemos que os caixões foram encomendados pelo prefeito Tony Júnior (vivido pelo ator Thardelly Lima ) que havia compactuado com os projetos assassinos do grupo de estrangeiros.

Tony Júnior, não obstante fosse o líder político do local e eleito para comandar a cidade em caso de uma emergência, preferiu, por razões pessoais, mais que abandonar a cidade á própria sorte, mas, compactuar com o assassinato em massa.

Necropolítica, é o nome.

E é o que temos hoje no Governo Federal, na pessoa de Jair Bolsonaro, que ao contrário até mesmo dos líderes de Direita que admira – Trump, Nethanayahu, Orban – vai contra a OMS e o bom senso e compactua com a morte de seu povo, aqui por um vírus sem cura.

“Bacurau” venceu os assassinos, contando algumas mortes, inclusive, e no final também se livrou de Tony Júnior.

Aqui no Brasil em março/abril de 2020 não sabemos qual o final da história. Mas, sabemos que Tony Júnior está na Presidência da República. E contra nós. A gente tá sendo atacado…

 

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