OPINIÃO

O chafurdento do Planalto: uma chaga nacional

Ultrapassamos 250 mil mortes no BraZil e mais de 3,5 mil na terra de Poti, e ainda tenho que ler ou escutar que tenho de levar em consideração “os que foram curados” ou, como escutei hoje: “as máscaras causam infecção!”. Essa frase bizarra não veio de um “pobretão”, de uma pessoa sem estudos. Veio de uma pessoa que certamente tem mais de 60 anos e, pelo que pude perceber, é de classe média.

Vivemos um pesadelo ou vivemos um desaguadouro de um processo histórico em que as elites reconquistaram o poder e, para não o perder, fomentaram a ascensão de uma das pessoas mais desqualificadas desse país. Um ser abjeto, deputado desconhecido e desqualificado, eleito sempre favorecido por milícias que hoje dominam parte do Rio de Janeiro. Um elemento que não merecia nenhuma atenção dos seus pares na Câmara de Deputados e que, embalado por uma conjuntura construída por essa elite e, agora sabe-se, financiado por grupos empresariais e estrangeiros e ajudado diretamente por Sérgio Moro e a gangue da Lava a Jato, chegou ao poder e começou o chafurdo.

Bolsonaro não é um Chefe de Estado. É um chafurdento cujo objetivo escancarado é implantar um regime ditatorial e para isso, nas barbas da justiça, arma sua horda. A coisa é tão absurda que Raúl Jungmann, ex-ministro da Defesa no governo Temer (traidor e golpista), chamou a atenção do Supremo Tribunal Federal (STF): Bolsonaro está encaminhando o país para a violência, ao armar a população.

Bolsonaro não é Chefe de Estado. É um chafurdento que não tem postura, que zomba da nossa inteligência, que enxovalhou a liturgia do cargo e que tornou nosso país um pária mundial. O BraZil hoje é uma pilhéria mundial. É uma anomalia entre as nações. Temos, imaginem só, um destrambelhado no comando das nossas relações exteriores e que, quando se exige sua participação em fóruns internacionais, suas falas são uma demonstração cabal de que o Itamaraty se acabou.

Bolsonaro não é Chefe de Governo. É um chafurdento cuja lógica de governar é desgovernando. Que, por não ter propósito, para a economia, tem a condução do governo como uma biruta de aeroporto. Estabeleceu-se no BraZil, a partir de 1° de janeiro de 2019, uma mistura de República das Bananas, já que o chefe de governo desde então ataca as instituições republicanas; ignora as leis; comete crimes de responsabilidade, um atrás do outro, sob a “proteção” das elites que o sustentam porque esperam que ela cumpra o seu papel: o de destruir a nação brasileira. É o primeiro exemplo de um nacionalismo às avessas e é aplaudido pelos patriotas de araque.

Bolsonaro está aí. Ele não presta. Não tem caráter. Não tem moral. É a própria expressão da canalhice que vemos na sociedade. É um ocupante do Planalto. Mas está aí e segue com um bom apoio entre a população. Ele sapateia nas covas dos mortos da COVID-19 e ri dos milhões de miseráveis que ele produziu em apenas um ano. Ele xinga, desqualifica e desmoraliza o povo brasileiro, mas mesmo assim tem adeptos e seguidores. Aqui mesmo, no nosso RN, temos deputados federais e, ao que parece, até mesmo um senador, que, se não o apoia e o defende explicitamente, o faz de forma sub-reptícia, escamoteada. Mas apoiam.

De acordo com um colega, que é católico praticamente, Bolsonaro é nossa expiação. É nossa cruz. É nossa maldição. Seu rastro, caso seja escorraçado do poder, será um país destruído, desmoralizado, pobre, sem estrutura estatal e com a dor de milhares de brasileiros que morreram e vão morrer devido a esse chafurdento.

 

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