OPINIÃO

O combate à criminalidade começa pelo incentivo à cultura

O prefeito Álvaro Dias (MDB) segue herdando um mal de seus antecessores ao acreditar que a promoção de eventos deve ser o centro de toda uma gestão de cultura, propondo a chamada Política do Pão e do Circo, e não conseguindo se espelhar em outras cidades no mundo que combateram a alta criminalidade no investimento da arte, do esporte e da educação. Assim fica difícil diminuir e/ou zerar os índices negativos de uma cidade má vista externamente, gerando o afastamento de turistas.

Claro que eventos como o Carnaval, São João e Natal em Natal são importantes – inclusive para gerar economia na cidade – , mas não deve ser a prioridade de toda a política cultural, assim como foi nos tempos de Carlos Eduardo, Micarla de Sousa e Wilma de Faria.

É preciso reconhecer que Álvaro vem propondo a chamada revitalização do Centro Histórico, incluindo a classe artística nesse processo, mas ainda falta muito na pauta da cultura, inclusive uma assistência maior com as diferentes comunidades periféricas .

Essas comunidades que em sua maioria possuem um teor maior de criminalidade não foram mais noticiadas nos veículos de comunicação . O fato é que projetos sociais, Ongs e movimentos culturais estão invadindo a África, Mãe Luiza, Felipe Camarão e outras.

Na comunidade da África (na Redinha) por exemplo, atualmente existem projetos como a Gingafrica que desenvolve um importante trabalho de valorização à cultura afro; a Ilha de Música que oferece gratuitamente aulas de música para jovens de baixa renda tendo os maiores músicos do Estado como professores; a galera do Hip-hop, que frequentemente se reúne na quadra poliesportiva da Redinha Velha .

Para o multi-instrumenralista Gilberto Cabral, a ideia de criar um projeto social de música sempre foi um sonho dele e da sua esposa Inês Latorraca (pianista); mas a concretização do projeto só se deu em 2006, quando os dois visitaram a comunidade da África na Redinha e após uma pesquisa descobriram que no local existiam cerca de 2 mil jovens e crianças, entre 8 e 18 anos vulneráveis à criminalidade. Foi quando eles decidiram instalar o projeto no local.

Em 13 anos de existência, centenas de jovens da Ilha foram beneficiados e muitos já seguem carreira, se destacando em concertos da Banda Sinfônica da Cidade do Natal e também na Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte.

Já em Felipe Camarão, o projeto Conexão Felipe Camarão oferece praticamente os mesmos serviços da Ilha de Música e assim vem fazendo a diferença na vida de milhares de jovens .

Então não é apenas com o aumento o efetivo da Polícia, melhor equipando ou armando o cidadão de bem – apesar de que realmente não sabemos quem realmente é do bem em pleno século XXI – que conseguiremos combater a violência; mas tentando matar o mal pela a raiz: investindo em arte nas comunidades periféricas, implantando uma Rede Municipal de Pontos de Cultura, criando uma política pública de incentivo fiscal para que projetos culturais não precisem interromper suas atividades e também gerar o surgimento de outras inventivas;

Natal é a única capital nordestina que não possui políticas semelhantes.

 

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