OPINIÃO

O fim da sociedade?

O historiador Durval Muniz escreve aos domingos na agência Saiba Mais

Um dos meus alunos presenciou e vivenciou a seguinte cena: ele estava dentro de um veículo, parado em um semáforo, aguardando que ele abrisse. Assim que o sinal fechou, como de costume, um grupo de limpadores de para-brisas se aproximaram dos veículos. O meu aluno, que se encontrava na terceira fila de veículos, viu quando um rapaz bem jovem, se aproximou, por trás, de um dos rapazes que limpava o para-brisa de um dos carros estacionados na primeira fila, e disparou dois tiros contra a cabeça do chamado “flanelinha”, que tombou sobre o capô do veículo se esvaindo em sangue. O atirador passou andando, do lado dele, com o revólver ainda em punho, e saiu do local sem que ninguém esboçasse qualquer reação. O motorista do veículo, sobre o qual jazia tombado o rapaz agonizante, abriu o veículo, claramente chocado, tomou um táxi e saiu do local, abandonando seu carro com o rapaz, possivelmente, já morto sobre ele. Mas, talvez, o mais chocante, de uma cena, já em si mesma, terrível, foram as reações que se seguiram ao acontecido: os ocupantes dos outros carros começaram a descer de seus veículos, com os telefones celulares em punho, para fotografar o rapaz agonizante, sem esboçarem nenhum gesto de ajuda ou socorro para o ser humano que morria. O mais chocante, ainda, foi a reação dos outros limpadores de para-brisas: apenas aproveitaram que os carros estavam parados e continuaram fazendo o seu serviço como se nada houvesse acontecido, como se um daqueles que, até bem pouco tempo, partilhava o mesmo espaço e trabalho com eles, não estivesse agonizando em praça pública, ali do lado deles.

Diante de cenas como essa, nos perguntamos: qual o futuro de nossa sociedade? Ainda vivemos, realmente, em uma sociedade? O que levou ou está levando a esse grau de esgarçamento da vida social, dos laços de sociabilidade e solidariedade entre os humanos? Costumamos naturalizar o conceito de sociedade. Achamos que sempre vivemos em sociedade, que a vida social sempre foi uma marca da existência humana. No entanto, não é bem assim o que se passou, ao longo da história. O conceito de sociedade e, com ele, essa forma particular de organização social, de laços societários, só emerge no mundo moderno, nas sociedades ocidentais e burguesas. Durante séculos os homens viveram em comunidades e não em sociedades. As comunidades conheceram diversos tipos de organização e compreenderam grupos humanos de distintos tamanhos e complexidade. Costumamos associar a noção de comunidade a grupos humanos mais restritos, organizados em clãs, tribos, aldeias e linhagens. Mas as cidades-Estado do mundo antigo ocidental, da Ásia, da África e da América pré-colombiana também são formas de organização comunitária, assim como os feudos do medievo europeu. Mesmo os grandes reinos e impérios que floresceram em todos os continentes, antes da expansão marítima europeia, também tinham como base organizações comunitárias.

O que diferencia a comunidade da sociedade? É que nas comunidades ainda não existe a ideia de indivíduo, não se concebe, nem é possível, uma existência individual, distinta e distante da comunidade a que se pertence. A vida comunitária se baseia em laços sociais muito mais estritos, que vinculam cada corpo individual a um corpo maior, coletivo. Nas cidades gregas antigas, a vida do cidadão só fazia sentido no interior de sua cidade, vinculada à sua cidade: é desse vínculo político, social e simbólico com a cidade que nasce a ideia de cidadão e de cidadania, conceitos que vão sofrer uma mudança de sentido profunda, no mundo moderno. Quando lemos o nome Tales de Mileto, tendemos a achar que Mileto era o sobrenome do famoso matemático e filósofo, mas Mileto era o nome de sua cidade, a cidade é que lhe dava nome, que lhe dava um lugar no mundo e um sentido para a existência. A pior coisa que podia acontecer com um grego era ser expulso de sua cidade, sofrer o ostracismo ou o exílio. Embora tenham se expandido por grande parte do mundo conhecido, na antiguidade, os macedônicos ou os romanos continuavam ligados à sua cidade, era ela que dava sentido a tudo que faziam, às conquistas que realizavam, às batalhas que travavam. A comunidade se organizava através de regras, normas, costumes que tentavam evitar, justamente, a emergência do que seria o indivíduo, tentavam evitar a perda de coesão social, obrigando a todos, coletivamente, a observância dos códigos que organizavam os grupos. O sociólogo francês Émile Durkheim distinguiu sociedades e comunidades pelo tipo de solidariedade que vincularia seus componentes: enquanto nas comunidades prevaleceria a solidariedade mecânica que, como a própria imagem utilizada diz, seria uma solidariedade automática, nascida do fato de que todos os integrantes da comunidade partilham os mesmos valores, as mesmas ideias e estão vinculados pelas mesmas regras e costumes, predominando mecanismos de coerção coletiva, de punição muito adstritas, sendo agrupamentos humanos sem grandes diferenças internas; já as sociedades seriam marcadas pela solidariedade orgânica, aí como a própria imagem diz, os consenso são mais difíceis de alcançar, como seriam agrupamentos humanos mais complexos, seriam marcados por divisões internas, por diferenças de valores, formas de pensar, de viver, exigindo mecanismos de coerção formais como as leis, a justiça e o direito.

A emergência do conceito e da forma de organização social nomeada de sociedade veio acompanhada da emergência da noção de indivíduo e, principalmente, da ideia de liberdade individual. Tendo surgido como parte do processo de ruptura com as formas feudais de organização social, todas assentadas sobre vínculos e laços pessoais de dependência, subordinação, solidariedade e homenagem, de prestação de favores e serviços, as sociedades são filhas do desejo de liberdade da classe burguesa em relação a estrutura social e política medieval. Os vínculos comunitários feudais foram sendo destruídos e diluídos com o avanço do individualismo e da ideia de liberdade burgueses. A sociedade capitalista vai ser marcada pela crescente prevalência dos interesses individuais em relação aos interesses comunitários ou coletivos. Desde as primeiras reações ao surgimento do mundo burguês, é a nostalgia dos laços comunitários que se farão presentes. Já com o romantismo, com as chamadas utopias, bem como com as correntes socialistas, é o retorno a uma vida comunitária ou a construção de uma nova comunidade que estão em pauta. O surgimento das ideias comunistas advém da percepção de que, talvez, uma das coisas mais danosas trazidas pelo capitalismo e pelo mundo construído pela burguesia seria o fim dos laços comunitários, o surgimento da sociedade e com ela o individualismo e o egoísmo como traços subjetivos prevalecentes. As religiões cristãs, notadamente o catolicismo, guardam uma certa nostalgia dos laços comunitários. A ideia de comunidade prevalece nos discursos religiosos e a busca de construção de comunidades continua sendo um dos objetivos das práticas confessionais. Muito do sucesso que as igrejas pentecostais e neopentecostais auferem, na atualidade, se deve ao fato de oferecerem simulacros de vida comunitária, atrativos para pessoas cada vez mais solitárias e desgarradas.

Não são os indivíduos que criam o capitalismo, mas o capitalismo que cria subjetividades individuais e individualistas. A concorrência e a competição, traços subjetivos fundamentais para o funcionamento do capitalismo, se desloca do plano coletivo (antes eram as comunidades que rivalizavam e competiam, eram os reinos ou os impérios) para o plano individual, o “homem lobo do homem”, segundo a máxima do pensador inglês Thomas Hobbes, é produto do mundo capitalista que se tornava vitorioso. O surgimento da sociedade, forma de organização social marcada pela existência e divisão entre classes (enquanto as comunidades se dividiam em ordens, estamentos, clãs, etc), embora esteja longe de fazer surgir a desigualdade entre os homens e as hierarquias entre eles, as aprofunda e instaura o que Karl Marx nomeou de luta de classes. A luta entre as classes contribuiu para fragmentar e dessolidarizar as relações sociais. A própria forma de organização da sociedade está permanentemente ameaçada pelo conflito entre as classes que, somado aos conflitos individuais, torna a nossa forma de organização social a mais conflitiva e agônica já existente. Enquanto nas comunidades a violência tendia a se externalizar, a se dar em relação a outro grupo, a outra comunidade, nas sociedades a violência interna é a prevalecente, embora não deixe de haver as grandes guerras e as revoluções periódicas, muitas feitas em nome da liberdade e da igualdade, que põem em conflito distintas sociedades.

Quando o sociólogo e pensador polonês Zygmunt Bauman nomeia a atual forma de organização social de sociedade líquida, ele esta se referindo ao progressivo esgarçamento dos vínculos sociais, que parece ser um traço de nossa sociedade contemporânea. Se para Durkheim, o que definia uma dada forma de organização social era o tipo de solidariedade entre os humanos que ela implicava e, portanto, que tipo consenso ela era capaz de produzir, nos parece que a liquefação dos laços sociais tem a ver com o progressivo rebaixamento da solidariedade e do consenso nas sociedades contemporâneas. Nossa sociedade possui uma grande contradição interna que é a de produzir e fabricar subjetividades individuais, individualistas, egoístas que, em nome da liberdade individual, desestimula a vida coletiva, a solidariedade com o outro, o serviço ao outro, o cuidado com o outro, para centrar todas as nossas vidas e ações em torno do nosso próprio ser, do nosso próprio umbigo. A conquista da liberdade individual, um dos grandes objetivos dos homens e mulheres modernos, está levando a um progressivo esvaziamento da vida coletiva e comunitária. O sociólogo e historiador norte-americano Richard Sennett já falava, nos anos oitenta, em um “declínio do homem público”, com a prevalência dos interesses privados, individuais, egoístas, sobre os interesses coletivos. Para ele, a vida pública, notadamente o exercício da política, vinha se deteriorando, a medida que eram, cada vez mais, apropriadas pelos interesses privados, das grandes corporações industriais, dos grandes bancos. A vida pública vinha se tornando um mero simulacro, um espetáculo midiático, onde o eleitorado era chamado a votar e legitimar as escolhas feitas pelos grandes capitalistas, eufemisticamente chamados de “mercado”. Outro dia, soubemos pelo jornal Folha de São Paulo, que o mercado resolveu engolir até mesmo Jair Bolsonaro, desde que ele impeça o retorno de Lula a presidência da República. O mercado são os capitalistas, pessoas movidas por seus interesses empresariais, privados, que os sobrepõe aos interesses coletivos. A cidadania que, pelo menos conceitualmente, implica o exercício coletivo da política, se vê fraudada pela prevalência dos interesses individuais e privados sobre os interesses coletivos e públicos.

Mas se o “declínio do homem público” é muito preocupante do ponto de vista político, a liquefação dos laços sociais, a perda do sentido de solidariedade coletiva, parecem ameaçar de forma mais drástica a própria convivência social. O crescimento dos níveis de violência em todo mundo, a diversificação das formas coletivas e individuais de agressão ao outro (terrorismo, banditismo, tiroteios realizados pelos chamados lobos solitários) são produto de uma sociedade cada vez menos solidária. A violência sempre foi uma componente da vida humana, o crime sempre esteve presente nos agrupamentos humanos, mas hoje atingem níveis inimagináveis, passam, inclusive, por um processo de naturalização e banalização, como a cena que abre esse texto explicita de forma chocante. A vida coletiva, comunitária, implicava o reconhecimento do outro como parte de um todo ao qual cada um também pertencia. Era clara a percepção de que não se podia existir sem a presença do outro. Nem sequer se supunha a possibilidade de existir vida própria sem a vida coletiva, por isso a cada vez que uma vida se perdia era uma perda para todos, todos ficavam menos completos, uma parte do corpo coletivo se ia, daí porque a morte sempre foi um dos acontecimentos mais difíceis para os agrupamentos humanos, por isso mesmo tão ritualizado. Em muitas comunidades humanas, os mortos, os ancestrais, continuavam tendo uma presença importante na vida dos vivos, podendo, inclusive, com eles se comunicar. Hoje, cada vez mais, o outro é aquele a se evitar, a presença do outro é incômoda, o morar e viver sozinho passou a ser o sonho da maioria, nem mesmo a família, que foi se reduzindo de tamanho e deixando de ser a comunidade primeira em que cada um vive, é mais tolerada, por muito tempo. O grande momento da vida do jovem é quando sai de casa, isso soa como uma libertação, como um indício de crescimento, de amadurecimento. Os próprios pais estranham quando os filhos não saem de casa, quando permanecem por muitos anos dentro de suas casas.

O individualismo modificou, completamente, a arquitetura das casas, das moradias. As moradas coletivas, as grandes casas senhoriais que viviam cheias de gente, as casas das camadas populares, diminutas, pobres, mas sempre de porta aberta para quem quisesse entrar, dá lugar aos apartamentos individuais, às casas em que cada membro da família tem seu quarto, em que até o casal dormem em quartos separados. Manter a privacidade e a individualidade passou a ser um valor inegociável. Cada um, mesmo morando na mesma casa, não moram juntos, são ilhas que têm vida própria. Mal chegou em casa, o rapaz ou a moça se trancam no quarto, cada quarto com seu televisor, seu som, seu computador. Cada um mergulhado no interior de seu smartphone. O que mais vemos, nos dias que correm, são famílias ou grupos de pessoas que se reúnem em um restaurante ou café para ficarem todas mergulhadas no seu celular. Estão juntas, mas tão separadas, estão na companhia das outras, mas solitárias. As relações sociais são cada vez mais mediadas pelas tecnologias, cada vez mais as relações diretas, face a face, são preteridas, substituídas pelas relações virtuais. Me parece que podemos estar caminhando para o fim das sociedades. Assim como essa forma de organização social surgiu historicamente, me parece que ela está caminhando para o seu fim. O que virá depois? Que tipo de organização social substituirá a sociedade líquida, das relações fugazes e passageiras em que vivemos?

Antes do mundo moderno, a solidão não era um problema de grandes proporções, ao contrário, ficar sozinho é que era extremamente difícil. O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro disse uma vez, em entrevista, que o mais difícil de viver entre os índios era a total impossibilidade de se ficar só. Se ele se retirava para o mato, até mesmo para fazer as necessidades fisiológicas, logo aparecia um indiozinho a perguntar o que fazia, a lhe fazer cafuné na cabeça, retirando, completamente, a concentração necessária ao ato. Podemos fazer uma história da solidão porque ela é uma marca das sociedades modernas, das sociedades dos indivíduos, das famílias nucleares que foram, cada vez mais, se reduzindo em tamanho e se fragilizando em termos de laços afetivos. A precariedade dos laços afetivos, sexuais e de solidariedade ameaçam a própria existência da espécie, necessariamente social e gregária. A expansão das doenças psíquicas, o crescimento exponencial do número de deprimidos tem relação com o vazio existencial de muitas pessoas pela ausência de laços humanos, afetivos, sexuais, amorosos, fraternais, familiares. A depressão e a tristeza entre os mais idosos têm que ver com o completo abandono em que vivem, com o esgarçamento dos laços de sociabilidade na velhice, com a perda dos laços afetivos, inclusive com muitos dos filhos. Recentemente, uma atendente das lojas Tim me falava do número de pessoas idosas que iam lá, quase todos os dias, simulando haver algum problema com seu celular, só para ter alguém com quem conversar. É, muitas vezes, perceptível, numa agência bancária, que a pessoa idosa, o aposentado ou aposentada, que vai ali para o atendimento tenta, de todas as formas, prolongar a conversa com o atendente para ter alguém com quem conversar.

Mas o que mais preocupa é a total insensibilização em relação ao outro, à existência do outro, o egoísmo, o fechamento em si mesmo, o narcisismo que leva a que não se preste atenção à dor do outro, a não solidariedade em relação ao sofrimento alheio. A cena que descrevemos no início do texto é um indício claro da pouca solidariedade ao sofrimento alheio, notadamente se ele pertence a outra classe social, a outra etnia, a outro gênero, a outro país, a outra identidade etária ou sexual, se ele é de alguma forma diferente de mim. Facilmente desumanizamos o diferente, fazemos deles espécies de bichos exóticos que, no máximo, merecem um registro fotográfico para ser distribuído pelo zap. Assim como fotografamos hipopótamos no safari, fotografamos o rapaz pobre, o flanelinha a se esvair em sangue. Se aproximar dele, tentar ajudá-lo, socorrê-lo, nem passa pela cabeça. Sujar seu carro ou sua roupa de sangue para prestar socorro a um ser humano que agoniza em praça pública, não tem nem cabimento. Aquele corpo agonizante é apenas uma curiosidade a ser transmitida aos amigos virtuais. Como já estamos muito distantes uns dos outros, qualquer marca de diferença, de alteridade torna o outro um ser de outro planeta, de outra condição, alguém com quem se é incapaz de ter qualquer sentimento de empatia e reconhecimento como um igual. Fechados em ilhas e bolhas, crescendo isolados em apartamentos e condomínios fechados, a classe média e as elites brasileiras desenvolveram um grau de insensibilidade social que se explicita de forma clara nas manifestações coxinhas nas redes sociais e nas manifestações que levaram ao golpe. O egoísmo das elites brasileiras inviabiliza qualquer vida cidadã no país e a vida pública, a vida política torna-se o atendimento aos interesses privados, aos valores e reivindicações as mais individuais e pessoais. O Estado é apropriado pelos interesses privados e corporativos, como vemos agora com os membros do poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal a querer que todos os poderes existam para atender a seus interesses corporativos, a seus anseios e formas de ver e conceber o mundo.

Esse quadro não ameaça apenas a cidadania, a vida política, mas a própria existência da espécie. Se continuarmos agindo com os recursos naturais, com o planeta sem nenhum senso de interesse coletivo, sem nenhuma noção de responsabilidade com o futuro da humanidade. Se as nações e as pessoas continuarem achando que o mundo, que a terra foi feita para ser usufruída por cada um individualmente, que a terra, privatizada, deve servir apenas aos interesses particulares de uma minoria nababesca, condenando a maioria à miséria predatória, temo que a própria existência dos humanos, mais do que das sociedades humanas, esteja em perigo. Se a forma de organização social em sociedades é preciso ser revista para que possamos ter formas mais harmoniosas de existência entre as pessoas e com a natureza, que o fim das sociedades se faça e que nos organizemos de outra forma, antes que o fim das sociedades nos traga formas ainda mais insolidárias e desumanas de viver, em que já sejamos totalmente incapazes de nos solidarizar com os outros, nem mesmo no momento da morte. Se a sociedade, como aquele menino, vítima dessa mesma sociedade, que cedo o atirou na rua, que cedo o levou as drogas, para poder suportar a existência, está agonizante, que sua morte possa significar a ressurreição dos laços entre os homens e mulheres.

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Durval Muniz de Albuquerque Jr. é professor, historiador e escreve aos domingos