OPINIÃO

O jogador de futebol mau caráter

O exemplo é Neymar, Robinho, Ronaldo Nazário, Ronaldinho Gaúcho, Romário, quanta banca, quanta marra, infelizes os torcedores que não conheceram a simplicidade de um Mané Garrincha, que era feliz jogando futebol  e queriam ver os torcedores felizes.  Vou falar sobre os que seguiram os exemplos dos marrentos, o final deles, infelizmente, é o ostracismo, muitas vezes até a miséria nos últimos anos de vida. Claro, não é o caso do que citei acima, milionários. Vocês que me acompanham sabem que sempre preferi, e prefiro, defender, falar bem dos atletas, afinal fui um deles, não posso querer tapar o sol com peneira e fingir que o futebol não abriga jogadores sem nenhum caráter.

Conheci um pé de porco desses. Ele ainda atua, ainda teima, em final de carreira, criando problemas, se valendo do passado cada vez mais distante do que apresenta hoje em campo. Um menino craque de bola. Promessa de fazer muito sucesso, tinha talento e, confirmado depois, seria um grande jogador de futebol de seu país, quase seleção brasileira. Super humilde, bastava notar alguém da imprensa corria a cumprimentar, e se lhe faziam perguntas comuns, respondia sempre com muita simpatia, principalmente se o jornalista em questão defendia, estava na “barricada” dos defensores dos jovens valores das bases quase sempre nunca lembrados pela grande imprensa.

O rapaz fez-se moço, cresceu, ganhou corpo, depois espaço, e jogava tanto que, mesmo o treineiro obtuso, cego, que não trabalhava com jogadores da base se viu obrigado a fazê-lo titular da equipe. Ele, claro, tinha uma pessoa por trás, um empresário que gostava, também, de ajudar e investir nos jovens valores, juridicamente cuidou de seu começo, o liberou para que ele pudesse fazer contrato e atuar num grande clube de sua cidade. Casa dos pais reformada, salários melhorados, compras de coisas necessárias a um bom desempenho, além de médico, dentista e alimentação. Até um representante-agente decente, honesto, super respeitado no mundo do futebol, foi colocado à disposição do rapaz por esse mecenas do futebol.

O sucesso, claro, ele jogava muito, chegou. Atuou em grandes clubes, se transformou num nome conhecido nacionalmente, pretendido por grandes e, como já disse no começo, chegou a ser cogitado para a seleção nacional. A partir da fama, tudo mudou. Em Natal, de férias nos finais de temporada, nos poucos encontros para entrevistas conseguidas quase sempre às duras penas, não diria que era antipático, não, mas, já muito diferente do menino humilde que estava sempre ansioso para ser notado, receber um cumprimento, um aceno. Chegava, no maior carrão que se possa imagina (nada contra) e, quase sempre, acompanhado de “amigos”, aqueles de festas, baladas, noitadas e todo tipo de badalação em que eles, os amigos, pudessem tirar uma casquina da fama do companheiro. Aos jornalistas do começo da carreira, não desprezo, preferia sempre dar atenção aos que o levavam para programas de maior audiência, redes de tevês mais vistas.

Mais tempo passando. Noites, festas, descaso, contusões, a bola murchando. O interesse pelo jogadorzão vai diminuindo, mas na sua cabeça de camarão ainda imagina que merece holofotes e pode levar a mesma vida. Sim, idade chegando também. Muda de empresário. O cara que protegeu seu patrimônio a vida toda é um “ladrão”, o cara que primeiro lhe deu a mão quando sua família quase passava fome também é chamado de “ladrão”. Os companheiros de equipe mostra um quase desprezo,  não respeita, o treinador, todos eles, “estão de marcação” e por isso não botam ele para jogar.  E sai provocando rachaduras por onde passa, complica a situação de quem comanda, pois a torcida, inocente, grande parte, vive no passado e acha que ele ainda é o “cara”.

Reclama de não jogar e, quando escalado, diz não estar pronto e nem com cabeça para entrar em campo, e vai levando, torcendo para o time perder, para sentirem sua falta e jogarem a culpa no treinador que o deixou de fora, diz isso, de forma dissimulada,  posando de humilde mas colocando na “parede” os dirigentes de clubes em entrevistas concedidas aos tolos que não o conhecem e ainda embarcam nas suas balelas. O torcedor comum, inclusive a maioria dos profissionais de imprensa quase nunca, mesmo nos dias de tanta facilidade de informação em que vivemos, esses tipos quase nunca são desmascarados, apontados, defenestrados. Infelizmente, o futebol ainda é um nicho onde impera a lei do silêncio do “faz de conta que está tudo bem” e todos vão empurrando as coisas com a barriga até a derrocada final ou, infelizmente, quando já não tem mais reparo.

Encerro o texto sugerindo que vocês, leitores, torcedores amigos, façam uma pesquisa, comprovarão, com certeza, que é difícil encontrar  um time profissional, mesmo os grandes, bem cuidados, bem administrados, todos eles ainda têm, em seus plantéis, esse tipo de jogador. O ex em atividade, ex que é mau exemplo e que pode colocar todo o trabalho a perder. Se cuidem, treinadores do meu Brasil. Citei exemplo de um, falem dos que vocês conheceram.

PS: um dia li sobre o que Serginho Chulapa disse de Edinho; o que uma eleição secreta de uma revista revelou o que diziam ex-companheiros sobre Ricardinho; o que saiu da briga entre Luxemburgo e Marcelinho Carioca; o que Edmundo afirmou certa vez sobre Antônio Carlos Zago; também o caso de Gilmar Rinaldi, apontado como traíra pelo Romário.

PS 2: não posso deixar de registrar que no ano do rebaixamento do América para a Série D um falso ídolo desses foi contratado, acabou fazendo um movimento de patifaria tão intenso contra o técnico, envolvendo alguns atletas, inclusive com desconfiança de “corpo mole” no jogo decisivo, acabando por levar o América à triste quarta divisão.

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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