OPINIÃO

O motorista natalense médio e sua incivilidade crônica

Convidado pela organização do FlipAut – Festival Literário Alternativo de Pipa para fazer parte, juntamente com o comandante-em-chefe deste Saiba Mais, Rafael Duarte, de uma mesa de debate sobre Jornalismo e Fake News, passei o final de semana em Pipa, lugar que muito aprecio e que sempre me encanta. Como sempre, gosto de observar o clima cosmopolita da vila praiana. Minha namorada, Jeanne, comentou que não apenas Pipa era limpa e sem sujeira no chão como os moradores e visitantes faziam questão de carregar seu lixo nas mãos até encontrar uma lixeira onde depositá-los.

O único senão anticivilizatório que testemunhei foram motoristas querendo/tentando passar com seus veículos na rua principal depois de meia noite. Alguns, com cara mau humorada e buzinando. Qualquer pessoa que conheça minimamente a dinâmica de Pipa sabe que no adiantar da noite as ruas vão sendo tomadas e se tornando uma espécie de boate a céu aberto. Nada errado nisso. Claro que existem emergências, mas também falta sensibilidade a motoristas que se sentem sempre os “donos da rua”.

Parando para comprar e beber cerveja em lata na calçada, e lembrando do cosmopolitismo pipense, resolvi averiguar a procedência dos veículos cujos motoristas tentavam passar pela multidão “na marra” ou com cara de quererem atropelar os pedestres. Por mim, neste tempo passaram cinco veículos. Quatro com placas de Natal, um com emplacamento de Parnamirim.

Nenhuma surpresa. Qualquer pessoa que se dedique a realizar qualquer ação nas ruas e calçadas de Natal e cidades adjacentes já testemunhou o comportamento do motorista médio. Ultrapassa sinais vermelhos, estaciona em vaga dupla e em vagas de idosos e/ou deficientes, corta pela direita, buzina desnecessariamente. Em texto antigo, escrevi que era como se houvesse um torneio secreto entre os motoristas para ver quem subverte mais regras básicas de trânsito e civilidade. Com o passar dos anos e e dinâmica observada no Brasil de hoje, a situação tende a piorar, com os “donos da rua” cada vez mais se sentindo empoderados em suas barbeiragens e barbaridades, os “donos do mundo”.

Já morei em São Paulo e Rio de Janeiro, lugares onde o motorista médio não é exatamente um monge budista e me relataram que em Brasilia o motorista costuma ser psicótico, assim como quem dirige nas cidades de Roma (Itália) e Cairo (Egito) se torna praticamente um psicopata. Mas, falamos aqui de cidades grandes, algumas, megalópoles, com uma dinâmica própria e estressante. Não é o caso de Natal, que, salvo a insegurança pública e os atrasos no salário do funcionalismo estadual, ainda é um lugar tranquilo (em comparação com as cidades citadas) de se viver e dirigir.

Ou seja, o motorista natalense não é estressado, não. É arrogante, sem noção, mesmo. Pouco afeto a civilidade. Aqui, em Pipa ou qualquer lugar onde dirija. 

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