OPINIÃO

O mundo chato dos homofóbicos

“O mundo tá chato!”

“Não pode falar nada hoje que as pessoas se ofendem.”

“Não tenho nada contra os gays, até tenho amigos que são!”

Essas são as frases mais comuns que cotidianamente são ditas por aí por pessoas que não conseguiram ainda entender que os tempos são outros. Estamos no século XXI, 2021, mas em muitos aspectos parece que ainda estamos vivendo em eras passadas.

Na mesma semana em que Patrícia Abravanel numa pantagruélica ignorância falando as maiores barbaridades e insistindo que nós, LGBTQIA+, devemos ter paciência e respeito com quem é homofóbico, pois ainda é muito difícil para eles aceitarem o mundo de hoje, Zé Neto, cantor de sertanejo – que convenhamos, é um dos estilos mais machistas e homofóbicos no meio da música – numa live deprimente, após perder uma aposta, teve que vestir a camisa do São Paulo e começou a fazer trejeitos extremamente estereotipados, atribuídos a homossexuais, insinuando que os torcedores daquele time fossem gays – como se houvesse algo errado, vergonhoso ou negativo nisso. E como pedido de desculpas veio a típica frase dizendo que o mundo está chato e que não se pode falar nada hoje que as pessoas se ofendem com qualquer coisa.

No domingo, 6 de junho, deveria ter sido a Parada Gay na Paulista se não houvesse a pandemia. Infelizmente não foi possível que milhões de nós saíssemos às ruas para mostrarmos ao mundo que existimos e que merecemos respeito pelo que somos.

O mundo está chato para aqueles que ainda não conseguiram entender que os tempos são outros, que LGBTQIA+ existem e que não há mais lugar para as piadinhas sem graça sobre nós.

Se está difícil para vocês, porque não sabem o que dizer aos seus filhos se virem dois homens se beijando, aqui segue uma instrução bem simples: Diga ao seu filho:

“Filho, no mundo existem pessoas que se relacionam como o papai e a mamãe. Um homem e uma mulher. Também existem casais que são homem e homem e também mulher e mulher. Quando você crescer entenderá que a única coisa importante sobre isso é que exista amor entre eles.”

Pronto. Método infalível. Seu filho não vai questionar absolutamente nada e vai entender.

Para que fique claro, o mundo é este que está aí hoje, ache ele chato, sem graça, não interessa. Só há duas escolhas: a primeira é evoluir com o progresso, aceitar as mudanças e respeitar as diferenças. A segunda é seguir sendo um ignorante boçal que vai cada vez surtar mais, porque o mundo, que os LGBTfóbicos dizem estar chato e cheio de “mimimi”, avança para o futuro inexoravelmente, mesmo que em passos lentos, até o dia em que todos possamos ser quem nascemos para ser.

 

 

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