DEMOCRACIA

O papel de Henrique Meirelles e Robinson na campanha de Geraldo Alckmin

Embora tenha a confiança de apenas 1% do eleitorado, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) vem cumprindo um papel relevante na campanha eleitoral até o momento: o de blindar o verdadeiro candidato do governo Temer, o tucano Geraldo Alckmin (PSDB).

O PSDB foi o fiador do golpe travestido de impeachment contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e deu sustentação ao governo de Michel Temer, apoiando todas as medidas e projetos impopulares encaminhados ao Congresso.

A PEC do teto dos gastos que congelou investimentos na segurança, saúde e educação por 20 anos, a reforma trabalhista e a entrega do pré-sal às multinacionais estrangeiras são três exemplos do estrago provocado pelo casamento entre MDB e PSDB no país.

Na quinta-feira (17), num exercício de sincericídio, Michel Temer admitiu em entrevista ao jornal Folha de São Paulo (leia aqui), que o candidato do governo é Geraldo Alckmin:

“Se você dissesse: ‘quem o governo apoia?’. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele”, assumiu o presidente.

Mas, então, qual é o papel de Meirelles na campanha ? Exatamente o de disfarçar esse apoio direto. Com o ex-ministro da Fazenda no páreo, Henrique Meirelles aparece como o candidato de Temer enquanto Geraldo Alckmin tenta convencer o eleitor de que representa uma terceira via.

O problema é que Alckmin pode até tentar abandonar o governo, mas o governo não abandona Alckmin. Ciro Gomes, por exemplo, já entendeu a estratégia e perguntou diretamente ao tucano no debate da Rede TV!, sexta-feira (17), se ele revogaria a PEC do teto dos gastos.

O candidato do PSDB tergiversou e não respondeu, até porque o compromisso de Alckmin é com o setor empresarial, que apoia a medida e financia sua campanha.

Da mesma forma, e diferente de Lula, Ciro Gomes e Guilherme Boulos, o tucano Geraldo Alckmin também defende a manutenção da reforma trabalhista, cujo relator foi o potiguar Rogério Marinho, alvo em seis investigações no Supremo Tribunal Federal acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Na campanha de Alckmin e Meirelles, as aparências são forjadas com factoides. Neste sábado (18), os jornais dizem que o MDB quer tirar seis partidos da coligação de Alckmin por falha em documentação. Mais uma para inglês ver e enganar o eleitor.

No Rio Grande do Norte, Geraldo Alckmin tem aparecido nas pesquisas de intenção de voto com apenas 1% e é o candidato à presidência da República do atual governador Robinson Faria (PSD), cuja gestão é reprovada por 81% dos potiguares, segundo pesquisa do Instituto Ibope, divulgada sexta-feira (17).

Se Alckmin depender da popularidade de Robinson para conquistar votos no Estado é melhor recorrer ao slogan do candidato impostor do MDB.

Chama o Meirelles.

E salve-se quem puder.

 

 

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"