OPINIÃO

O “Pibinho” do Mandrião e os efeitos do delírio golpista na Economia

A divulgação de que PIB brasileiro caiu 0,1% no 2º trimestre de 2021, acabou com o sonho das polianas da economia. Com isso, a economia brasileira avançou 6,4% no primeiro semestre. No acumulado de 12 meses, o PIB registra “alta” de 1,8%

A produção industrial caiu 1,3% em julho e voltou a ficar abaixo do pré-pandemia e, depois de ter um espasmo de crescimento, depois da acomodação durante a pandemia, voltou a recuar, basicamente porque não há nenhum estímulo a novos investimentos, existe uma espetacular escassez de insumos; um espetacular aumento de preços ao produtor, que disparou (+ 21,4%), afetando a cadeia produtiva; a ameaça concreta de um “apagão” na área da energia; a falta de investimentos públicos; a permanente instabilidade política, que gera incertezas para novos investimentos privados; o descontrole da política cambial; o desleixo completo com a política de combustíveis; e a continuidade da pandemia, em escala menor, mas que interfere na retomada das atividades econômicas

O desempenho da economia no trimestre vem do resultado negativo da agropecuária (-2,8%) e da indústria (-0,2%). Entre as atividades industriais, o desempenho foi puxado pelas quedas de 2,2% nas Indústrias de Transformação e de 0,9% na atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos. Já os Serviços cresceram 0,7% no segundo trimestre.

Mas não esquentem a cabeça, pois de acordo com o competentíssimo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o resultado ficou um “pouquinho abaixo do que o mercado imaginava, mas dentro das expectativas das autoridades monetárias”, ou seja, o barco está afundando conforme as expectativas do governo.

Quando compara-se o PIB brasileiro com o da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrega 38 países do capitalismo chamado “central”, vê-se, de forma clara e cristalina, o impacto da opção do governo federal em sabotar o combate à pandemia, pois nesses países a vacinação tem seguido um ritmo razoavelmente bom, enquanto no BraZil, depois de 8 meses de vacinação, temos 30 % da população totalmente imunizada, enquanto na Europa os percentuais, nos países mais importantes em termos de economia são muito superiores ao nosso : Reino Unido (62,9%), Itália (61,0%), Alemanha (60,1%) e França (59,8%).

Enquanto o país fica em “estado de choque econômico”, a pauta do governo é espalhar o delírio do Mandrião país afora, com carreatas, “motociatas”, “boiciatas” e “burrociatas”, com públicos cada vez mais bizarros, em querer dar um golpe na democracia no dia 7 de setembro, dia em que, no longínquo 1822, o Regente Pedro de Bragança, segundo boatos maldosos, com uma dolorida diarreia, o que o fez ser um dos primeiros a poluir as margens do Ipiranga, proclamou, altissonante, a independência do país.

As únicas ações do governo tem sido a de empurrar goela abaixo, com o apoio tácito do presidente da Câmara de Deputados, o senhor Arthur Lira, pautas que buscam aprofundar o completo desmonte do Estado brasileiro e encolher, cada vez mais, os já parcos direitos dos trabalhadores, em nome do Deus Mercado, aquele que é adorado em muitos relicários da nossa elite rastaquera, que de economia nada entende.

Infelizmente o país tem de aguardar o desfecho de 7 de setembro e os efeitos da pataquada fascista, para, no dia seguinte, continuar a torcer para que a oposição consiga, enfim, superar suas diferenças, que não sou poucas, e aprofundar suas convergências, que são poucas, e construir um grande movimento de salvação nacional, para virarmos a página da nossa história.

Porém, de uma coisa pode-se ter certeza: o impacto da passagem dessa horda pela economia desse país, provocará efeitos negativos durante muito tempo e muitos que são jovens, amargarão o preço de terem, em algum momento, imaginar o “acabar com isso daí” era mera retórica ou apenas referindo-se ao “petê”.

 

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