TRANSPARÊNCIA

O populismo e a contradição de Robinson Faria

Por Renato Lisboa*

Em sua primeira aparição no programa eleitoral gratuito, o governador e candidato à reeleição, Robinson Faria (PSD) cai em contradição e deixa exposta a metamorfose de que uma eleição é capaz de promover em um gestor.

Ele disse, nesta sexta (31), que, no meio de uma crise, não iria impor medidas duras de ajuste fiscal, como demitir servidores públicos e privatizar a Potigás, entre outros ativos do Estado.

Seu discurso é a negação da busca pelo saneamento das finanças que ele tanto propagou, ao lançar, em janeiro deste ano, o “RN Urgente”, um pacote de recuperação fiscal.

O programa, nas palavras do próprio governador, era “uma série de medidas fortes e necessárias para reequilibrar as finanças do Estado”.

No vídeo abaixo deste post, está a proposta, sugerida pelo próprio governador, de vender as ações da Potigás (o nome disso é privatizar).

Se, no programa eleitoral, vimos um governador muito preocupado com os servidores públicos (em detrimento do interesse social de ver as finanças sadias), o gestor visto no vídeo do “RN Urgente” critica “a aprovação de planos de cargos que não se sustentam”.

Também sugere que a folha de pagamento dos servidores estava inchada, comparando-se com Estados de orçamentos senelhantes.

Em qual Robinson Faria acreditar? No gestor de nove meses atrás, cioso da sustentabilidade financeira estatal, ou no “pai dos servidores”, que não consegue ver, em uma folha de pagamento inchada, espaço para cortes? E, assim, passa a conta para sociedade.

O governo conseguiu a proeza de, tendo maioria na Assembleia Legislativa, ver a grande parte do plano desaprovado, muito devido ao atraso do envio da proposta, só apresentada em ano eleitoral.

Abaixo, o vídeo do “RN Urgente”.

*Renato Lisboa é jornalista

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