OPINIÃO

O que danado o Ministro da saúde pretende com o Dia D ?

Por Hugo Manso*

Termo militar, como ele, o Dia D foi planejado por mais de um ano, entre 1943 e 1944 envolvendo tropas do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e França durante a ocupação nazista no território francês.

Como na maioria dos planejamentos, o Dia D sofreu imprevistos e alterações. Devido as tempestades no canal da mancha a operação foi adiada por um dia, acontecendo em 06 de junho de 1944 através de desembarque de mais de 150 mil homens em embarcações que transportaram veículos terrestres e aviões que faziam a cobertura na costa da Normandia, território francês.

Operações de guerra, bombardeios aéreos e ocupações territoriais abrem espaços e matam. Entre os militares aliados 4,4 mil, entre os alemães 9 mil mortos só no dia 06 de junho. Entre os aliados, somam-se mais 9 mil homens, entre feridos e desaparecidos… Mas não só. Milhares de civis franceses também morreram. Altíssimo preço, mesmo com longo e eficaz planejamento.

A comparação feita pelo ministro entre a gigantesca operação militar de 1944 com o início da campanha de vacinação no Brasil de 2021 não nos interessa. Não serve ao povo brasileiro, não faz parte da política de saúde pública nem daqui, nem dacolá…

Os mais de 200 mil soldados aliados mortos, feridos ou desaparecidos em solo francês quando da libertação de Paris entraram na história como parte de um esforço de guerra contra o nazismo e o fascismo. No Brasil de hoje, perdemos o mesmo números de pessoas atingidos pelo vírus, sem nenhuma contrapartida histórica …

Na 2ª Guerra Mundial, aos soldados mortos, somam-se milhões de civis franceses, judeus, brasileiros e de todas as nacionalidades e idades. Militantes da resistência, inocentes e combatentes.

Na pandemia do COVID-19 mais de 1,4 milhão de pessoas foram a óbito, havendo em todo planeta um imenso esforço para viabilizar a vacinação em massa como um procedimento científico e técnico-administrativo. Exigimos um mínimo de planejamento e seriedade por parte dos “senhores da guerra” que se apossaram do governo federal brasileiro.

Não nos venham com ações violentas nem belicistas. Humanismo é o que precisamos.

Referencias e dados, https://www.bbc.com/portuguese/internacional

Hugo Manso é ex-vereador de Natal e professor do IFRN

 

 

 

 

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