DEMOCRACIA

O que diz a Consult sobre as gestões de Álvaro, Fátima e Bolsonaro

A primeira pesquisa de opinião realizada em Natal sobre as administrações municipal, estadual e federal apresenta um cenário preliminar para as eleições de 2020 e mudanças na expectativa dos eleitores em relação aos governos Fátima (PT) e Bolsonaro (PSL).

Os questionários do Instituto Consult foram aplicados entre 7 e 11 de março, um dia após a quarta-feira de cinzas. Logo, é provável que o efeito carnaval tenha influído na avaliação da gestão do prefeito Álvaro Dias (MDB), que alcançou 57,13% de aprovação. Os governos Fátima e Bolsonaro tiveram aprovação de 47,13% e 41,13%, respectivamente.

O chefe do executivo municipal apresentou o melhor índice de aprovação e a rejeição menor: 16,13%, contra 22% da governadora do Rio Grande do Norte e 37,25% do presidente da República.

A pesquisa foi realizada apenas em Natal, o que impede uma avaliação sobre os governos Fátima e Bolsonaro nas demais regiões do Estado. Como historicamente o Instituto Consult faz pesquisas encomendadas pelo MDB, partido de Álvaro Dias e da família Alves, os números também podem ser interpretados como a antecipação de uma disputa interna dentro do próprio Partido pelo candidato a ser apoiado pela sigla.

Candidato natural do MDB, Álvaro Dias deve ter como concorrente o deputado estadual Hermano Moraes, que já foi candidato a prefeito em 2012, chegando ao 2º turno e perdendo a disputa para o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

Moraes tem dito nos corredores da Assembleia Legislativa que topa a parada novamente, desde que tenha o apoio dos caciques do partido, ou seja, dos primos Henrique Eduardo Alves, que já começou a ensaiar uma volta ao ringue da política pelas redes sociais, e Garibaldi Alves, derrotado nas urnas de outubro passado, mas ainda uma força indiscutível no Estado.

Como primeiro teste, Álvaro Dias foi aprovado e turbinado pelo carnaval, especialmente pelos shows nacionais pagos pela prefeitura.

Mas além de posicionar Dias no tabuleiro da eleição do próximo ano, a pesquisa mostrou uma mudança do natalense em relação aos governos de Fátima Bezerra e de Bolsonaro.

Os números revelam que o índice de aprovação do governo Fátima (47,13%) é maior do que o do governo Bolsonaro, que chegou a 41,13%.

Os dados devem ser analisados levando em consideração a rejeição histórica do PT em Natal. O partido nunca conseguiu eleger um prefeito – seja concorrendo praticamente isolado ou ao lado de políticos tradicionais do Estado, como aconteceu na derrota de Fátima para Micarla de Sousa, em 2008.

A própria eleição da governadora Fátima Bezerra deixou essa rejeição ainda mais clara. A vitória petista foi conquistada no interior do Estado. Na capital, Fátima obteve 39,2% dos votos contra 60,8% de Carlos Eduardo Alves, ex-prefeito que administrou Natal por 12 anos.

Portanto, a aprovação do governo Fátima na casa dos 47,13% reforça um aumento de 8 pontos percentuais, se comparado com o resultados as urnas na capital potiguar.

Situação inversa e curiosa é a de Jair Bolsonaro, que venceu Fernando Haddad em Natal no 2º turno, obtendo 52,98% dos votos válidos, e cinco meses depois é aprovado por 41,13% dos natalenses, ou seja, uma queda de 11 pontos percentuais num comparativo livre entre eleição e pesquisa.

A desaprovação de Fátima também é menor que a do presidente da República em Natal. Segundo a Consult, 22% dos natalenses não aprovam o governo Fátima, enquanto a rejeição a Bolsonaro chega 37,25%.

O Instituto Ibope na quarta-feira (20) já havia indicado grande dificuldade de Bolsonaro nas cidades acima de 500 mil habitantes, especialmente na região Nordeste, onde a rejeição ao presidente chega a 49%.

Ao contrário do que imaginava a oposição e a própria campanha do principal concorrente de Fátima nas eleições, o governo do PT não vem reforçando a polarização que virou obsessão do presidente da República.

Fátima e auxiliares foram a Brasília várias vezes e voltaram com boas perspectivas.

No Rio Grande do Norte, depois de um hiato de vários anos, governo e prefeitura de Natal sentaram à mesma mesa juntos novamente, iniciativa que não aconteceu durante as gestões de Carlos Eduardo Alves e Robinson Faria.

Sem alarde, o governo petista também vem conseguindo reduzir os índices de violência, eliminou as macas dos corredores dos principais hospitais do Estado e fechou um acordo com representantes dos servidores para voltar a pagar o funcionalismo dentro do mês trabalhado, garantindo a quitação dos atrasados com recursos extras, no qual a antecipação dos royalties de petróleo – em negociação com os bancos – é a principal fonte anunciada até o momento.

Por outro lado, o governo Bolsonaro até o momento é uma sucessão de polêmicas sem sentido e ataques virulentos aos opositores do Governo.

O presidente da República passa a impressão que decidiu governar apenas para o exército ensandecido das redes sociais. Nem o principal projeto do governo enviado ao Congresso – a Reforma da Previdência – tem contado com a defesa incisiva do presidente, motivo de queixas da própria base do Governo na Câmara dos Deputados.

A tendência é a popularidade de Bolsonaro despencar ainda mais, quando a reforma da Previdência for pautada no Congresso. Importante lembrar também que a reforma que fará os brasileiros trabalhar mais e se aposentar recebendo menos tem as digitais do ex-deputado federal Rogério Marinho, rejeitado impiedosamente nas urnas de outubro e de triste memória para o eleitor potiguar.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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