OPINIÃO

O que esperar da bancada potiguar no Senado Federal?

Na semana passada aqui neste espaço, escrevi sobre o que poderíamos esperar da bancada potiguar na Câmara dos deputados, quatro deles “veteranos”, quatro “novatos”. Hoje neste espaço nos dedicaremos a tarefa aparentemente mais fácil, posto que contempla apenas três parlamentares, que formam a bancada potiguar no Senado: Jean Paul Prates (PT), Zenaide Maia e Styvenson Valentim.

O que esperar desse trio ao longo dos oitos anos que consistem o mandato no “céu”, como é chamado o Senado Federal?

Cada caso é bem peculiar. Comecemos pelo mais votado para o Senado, o “não político” Styvenson Valentim, que se elegeu de “forma independente” pela Rede como o “Capitão Styvenson”, surfando de forma competente na fama que construiu como o implacável da Lei Seca. Sem em qualquer momento fazer campanha para a Rede ou tentar qualquer ligação com o partido, se desfiliou para entrar no Podemos, comandado nacionalmente por Álvaro Dias, que foi candidato a presidente da República.

Ainda uma incógnita, Styvenson fez da aversão pela chamada política tradicional sua marca. Na campanha, isso funcionou bem. No dia a dia do Senado, essa característica pode atrapalha-lo. É quase consenso que se ele se ligar a algum grupo, será o de perfil mais conservador, ainda que não demonstre explicitamente amores pelo Governo Bolsonaro ou por um militarismo exacerbado.

Tentará muitas vezes no Senado “jogar para a plateia”. Por vezes, dará certo, outras vezes, não. O mais provável é que se mostre discreto no primeiro ano, observando o peculiar modus operandi do Congresso e dos parlamentares. A aproximação que teve com a governadora Fátima Bezerra foi bem vista tanto por eleitores dele como por eleitores da petista, como um sinal que ambos tem o RN como prioridade.

Deputada federal com bom desempenho entre 2015 e 2018, Zenaide Maia também deixou seu partido, o PHS, que não atingiu a cláusula de barreira e foi condenado a desaparecer e se filiou ao PROS. na prática, deverá manter a pauta progressista e pró-ativa que marcaram os dois anos finais de seu mandato como deputado. Colabora para essa impressão, o fato do marido dela, ex-prefeito de São Gonçalo Jaime Calado, ser secretário de Desenvolvimento do Governo Fátima Bezerra.

Contudo, é improvável Zenaide mostrar um tom agressivo contra o Governo Federal. De perfil moderado, fará uma oposição suave e pontual, sabendo dialogar com os colegas parlamentares e funcionando como a voz de Fátima no Senado, casa onde a própria petista foi senadora por quatro anos.

Por fim, chegamos ao suplente que se tornou senador justamente com a vitória de Fátima. Jean Paul Prates é especialista em energias renováveis e sustentáveis, com ampla comunicação com este setor, inclusive em níveis nacional e internacional. Apesar de filiado ao PT e hastear bandeiras progressistas, tem um pé no “mercado” e diálogo fácil com o mundo empreendedor, o que lhe faz ser visto com desconfiança por parte da Esquerda potiguar.

Deverá fazer um mandato propositivo e em sintonia com investidores e empresários, de maneira a fomentar a Economia no Rio Grande do Norte,

Em comum entre os três senadores, o fato de não serem das três oligarquias (Alves, Maia e Rosado) que dominam o Senado e a política potiguar há meio século. Registrando que Zenaide carrega o maia no nome , mas não é da família do patriarca Tarcisio, pai de José Agripino, que, aliás, perdeu a vaga de senador justamente para Zenaide e Styvenson.

 

 

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