OPINIÃO

O simbolismo da máscara e o (des)respeito ao coletivo

Percebo a cada dia menos pessoas usando máscaras ao caminhar na rua e em praças. Muitas com a máscara no queixo. Ou na mão, como se fosse um trapo. Na verdade, até mesmo em padarias, lanchonetes, bares, restaurantes, há gente entrando sem máscara.

Em relação ao aspecto de protocolos de segurança e tentativa de não disseminar o coronavírus, esse cenário me preocupa, claro.

Mas, no aspecto de (in)civilidade, esta situação, para além de me preocupar, me aborrece, me irrita mesmo.

Porque incomoda a mim estar em um bar ou lanchonete e ver alguém – geralmente o perfil usual, homem, branco – entrando sem máscara. Mesmo que nem chegue perto de mim, mesmo que apenas pegue algum produto e saia logo. Pela mesma razão que me incomoda ver um carro estacionado em duas vagas. Não me afeta. Mas, o desafio explícito ao coletivo me aborrece.

Essas que vem se recusando a usar máscara, são pessoas que mais do que acharem que “a pandemia já passou” ou “o vírus está controlado”, acham que são “donos do mundo”, sempre acharam. Têm pouco ou nenhum respeito ao coletivo, como já escrevi antes neste espaço.

Repito: Um sujeito que entra em um restaurante sem máscara, pode até nem chegar perto de mim nem de ninguém nas outras mesas de maneira suficiente a transmitir o vírus, caso infectado esteja, mas, pelo comportamento, essa pessoa já detona o seu possível repertório: Com ou sem covid-19, na próxima ida ao mesmo restaurante ele pode estacionar na vaga de portadores de necessidade especiais. Ou estacionar e deixar o som do seu carro em volume alto. Ou criar confusão com o casal LGBT na mesa ao lado dele.

Enfim, a falta de civilidade que ele denota de maneira ostensiva ao não usar máscara, ela achará vazão em aspectos outros da vida cotidiana. Na verdade, no Brasil a incivilidade, o desrespeito ao coletivo, já virou uma filosofia de vida, uma política de Governo.

Em um país onde o presidente faz questão de passear a esmo sem máscara quando se ultrapassa os 100 mil mortos pela doença, todo um grupo de pessoas se sente empoderado e representado para fazer igual, Vide o desembargador em Santos e o machinho da sorveteria no interior de São Paulo.

Ainda que as curvas de óbitos e casos baixem, o desafio de não termos a segunda onda do vírus e de mantermos os leitos de UTI com baixo uso, continua. Mas, continua tendo que enfrentar, além do vírus ainda sem vacina, o negacionismo e o desprezo pelo coletivo que tanta gente têm.

 

 

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *