OPINIÃO

Ódio patológico a Lula e ao PT continua onipresente nas redes sociais

No domingo passado, dia 7, completou um ano da prisão de Lula. Prisão política, após um processo repleto de quebra de ritos processuais e, principalmente, sem apresentar provas do “crime”, classificado na peça como “atos indeterminados”. Mas, este texto não pretende tratar da prisão em si do ex-presidente, mas de como passados 365 dias do encarceramento dele o caldo de ódio a ele e por extensão ao Partido dos Trabalhadores continua vivo e efervescente nas redes sociais, como uma cicatriz que não fecha, pelo contrário, permanece aberta e em carne viva.

A percepção concreta deste fato veio quando a redação do portal Potiguar Notícias, onde sou um dos editores, produziu e postou no Facebook uma matéria no domingo sobre a mensagem da governadora Fátima Bezerra no Twitter de apoio e solidariedade a Lula. Nota pessoal, não institucional e bem básica, no qual a reportagem de poucos parágrafos apenas comentava o fato e reproduzia a nota.

Em questão de minutos a postagem no Facebook recebeu dezenas de comentários, quase todos externando ódio a Lula e, também por extensão, a Fátima Bezerra. Em questão de horas, da meia centena de comentários, a maioria eram contra Lula e já com termos como “lixo humano” e “deveriam ambos morrer”.

Pensei que poderiam se tratar nos inevitáveis bots e trolls antiPT, que proliferam no Twitter, por exemplo. Selecionei os comentários mais agressivos e, surpresa: Eram perfis de pessoas reais, muitas residentes em Parnamirim e demais municípios da Grande Natal e com amigos em comum comigo. Pareciam se tratar do que se chama de “cidadãos de bem”. Os comentários mais ofensivos e gratuitos vinham de senhoras cujo perfil apontava fé em deus e apreço pela família.

Decidi conferir como estava sendo a dinâmica dos comentários nos portais nacionais no Facebook. Selecionei matérias envolvendo o nome Lula na manchete e a foto do ex-presidente em pelo menos cinco (G1, UOL e Estadão incluídos): A mesma tônica de ódio extremo. Palavras extremamente agressivas, desejo que que Lula “mofasse”, “apodrecesse” na cadeia. Um internauta comentou que deveriam esquartejar Lula. Pesquisei o perfil, que era real: um professor de São José dos Campos, São Paulo. Das fotos públicas, imagens com os netos, foto do casamento de um sobrinho. Um cidadão comum. Que escreve publicamente seu desejo que um ex-presidente de 73 anos condenado sem uma prova concreta seja esquartejado!.

Não tenho qualquer conhecimento acadêmico de sociologia e psicologia, mas deduzo que estes tempos, que remetem quase a uma histeria coletiva, serão estudadas a fundo no Brasil. isso se ainda existirem Universidades.

Se ainda existir Brasil, na verdade.

 

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