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Óleo encontrado nas praias poderá ser utilizado na indústria ou em estradas

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O óleo encontrado nas praias do litoral potiguar será utilizado na indústria do cimento ou para revitalização de estradas no Rio Grande do Norte. A informação foi divulgada pelo Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema) na sexta-feira (1) após relatório apontar o armazenamento de 15,7 toneladas dos resíduos em seis cidades do litoral do Estado. O armazenamento e manejo desse material, até o momento, está na responsabilidade de cada prefeitura e estima-se que esta semana um plano de direcionamento seja definido para que os resíduos possam ser descartados ou reaproveitados.
Até o momento, o Rio Grande do Norte é um dos estados da região Nordeste menos afetado pela presença de óleo nas praias. No entanto, mesmo com algumas praias do litoral sendo classificadas com “nenhum” ou “pouco vestígio”, esse montante de cerca de 16 toneladas, divulgado a partir de relatório do Gabinete de Gestão Integrada com dados da Marinha e do idema, ainda assusta grande parte da população, que não sabe o que será feito para descarte ou armazenamento do material.

Segundo o diretor-geral do Idema, León Aguiar, a destinação do material é uma discussão em nível nacional que ainda não foi definida pelo Governo Federal nem pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). “Cada Estado tem tentado buscar uma solução junto aos municípios para poder descartar esse material. Por enquanto, toda orientação é armazenar, mas já vínhamos, aqui no idema, fazendo tratativas com algumas empresas de iniciativa privada, que são as únicas a receberem esses resíduos para descarte”, explica o diretor-geral à agência Saiba Mais. 

De acordo com Aguiar, ainda não se há um plano que defina se haverá o descarte final desse material ou o reaproveitamento. O diretor confirma que serão realizadas reuniões esta semana com empresas da iniciativa privada para que haja uma colaboração, por meio de parceria, para direcionar o que será feito com o material. A ideia é que se utilize os resíduos encontrado nas praias como combustível para alimentar os fornos da indústria do cimento e da telha. A utilização pode ser feita considerando que grande parte do que se está armazenado é petróleo cru, que pode ser aproveitado para queima.

“No intuito da gente ter uma solução mais sustentável, em vez de somente descartar e enterrar um resíduo como esse, nós buscamos alternativas de reaproveitamento desse material. Observamos que existe, na indústria do cimento, a possibilidade de recepcionar esse material para utilizar como combustível tanto nos fornos, quanto na fabricação do cimento e de outros materiais que por ventura eles produzam”, completa Aguiar, que indica a parceria com empresas responsáveis pelo asfaltamento de estradas como também uma das prováveis soluções para esse material. 

Dentre as 15,7 toneladas já coletadas no litoral potiguar, a maior parte desses resíduos estão armazenados nos municípios de Nísia Floresta, com 12 toneladas, e Tibau do Sul, com 15 bombas grandes de 200 litros cada uma somente com o óleo.

Houve uma orientação de como ser realizado esse armazenamento de uma forma segura, que é num local isolado do contato com a população, de forma que ele não ficasse exposto sobre o solo e que também ficasse coberto por uma lona ou proteção de telhado”, explica Aguiar, afirmando que o armazenamento do material está ficando a cargo de cada prefeitura. 

Mesmo com a grande quantidade de óleo encontrado nas praias, o número não se compara a Estados vizinhos, que já noticiam o armazenamento de 500 ou mil toneladas acima. Os valores, divulgados pelo Gabinete de Gestão Integrada em relatório neste sábado (2), não enfrentam um problema de armazenamento. Os municípios de Nísia Floresta e Tibau do Sul estão armazenando o material em galpões e garagens dessas Prefeituras.

“Hoje não é um problema porque não chegaram, aqui no Estado, quantidades como foram observadas no Pernambuco ou na Bahia, por exemplo, acima de mil toneladas. Como nosso quantitativo foi mais reduzido, nós não enfrentamos esse problema de falta de espaço para armazenamento. A gente quer até esta semana esteja resolvida a questão do descarte. Se vai chegar mais resíduo, nós não sabemos”, explica.

No Plano Nacional de Contingência, que trata sobre os incidentes de poluição com óleo nas águas, está descrito que a responsabilidade do armazenamento e os possíveis custos em relação a um caso como esses é da União – por meio dos órgãos diretamente ligado à questão, como o Ibama, neste caso. No entanto, as despesas referentes às coletas e armazenamento desse material estão ficando a cargo das prefeituras e dos Governos. À imprensa, o Ibama alega que irá ser repassar as verbas para ressarcir as prefeituras, mas ainda não houve garantia oficial alguma dada a esses municípios. 

O Idema, contudo, ainda não definiu um prazo específico para resolução do destinamento desse material. “Queremos trabalhar nisso o mais rápido possível porque sabemos que esse material ao ficar parado por muito tempo pode sofrer alterações químicas, e a gente não sabe no que isso se transformará ou se irá ficar, por exemplo, impraticável o reaproveitamento”, pontua o diretor-geral do Idema, que afirma à agência Saiba Mais que esta semana será realizada uma reunião para definir um plano de ação. 

“Estava esperando os quantitativos atualizados saírem para justamente entrar em contato com essas empresas, uma vez que os contatos que temos feito são por meio de parcerias, e essas empresas tem se demonstrado no interesse de ajudar ao Estado recebendo esse material em qualquer ônus”, conclui. 

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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