OPINIÃO

Olhos

Vocês já prestaram atenção aos olhos das bestas-feras? Reparem bem, são parecidos, gente, diria que são iguais. Os olhos de cobra de Edir Macedo se parecem com a porra louca da Damares, assim como da Janaína Pascoal, Feliciano, Valdemiro Santiago, RR Soares e todos esses loucos neopentecostais e seus adoradores.  Vendo esse povo falar volto no tempo em que dona Toinha nos acordava seis horas da manhã, e tome cacete em quem reclamasse, para assistir a missa na Igreja do Galo. A tortura de todos os domingos que, quando demorava, terrível, me tirava do treino de futsal do América com o mestre Olinto Galvão. Não nego, amaldiçoava o desinfeliz do padre quando a homilia era muito comprida.

Eu cochilando, morto de sono, despertava com os beliscões, muxicões (vocês conhecem essa palavra?) de Toinha ou então quando o padre, também parecido com esse povo  doido de hoje, berrava bem alto que os meninos que pensavam e  faziam safadezas, não gostavam de religião, e passavam horas no banheiro, certamente,  iam queimar no fogo do inferno. Não dormia mais. Fingia me concentrar e para não levar mais da “tira de sola” quando chegasse em casa, ao mesmo tempo que me achava um pecador sem salvação por ficar imaginando se aquele padre era do mesmo time de outro que “convidava alguns colegas meus para comer hóstia na escuridão da sacristia”.

Não tem diferença. Os olhos dizem, é o espelho da alma, e carrego essa maluquice comigo de querer conhecer, analisar as pessoas dessa forma. Mas quase sempre foi assim, deve ser por isso que tenho que me policiar para não acabar tendo ojeriza a algumas pessoas somente ao contato visual. Coisa de doido mesmo. Mas me digam, sejam sinceros, dá para comparar o olhar de Chiquinho (Papa Francisco) com o do milionário da Igreja Universal? Impossível não enxergar o abismo.  E a diferença entre o olhar doce, carinhoso e amigo de Lula, oposto total do fulminante e desvairado do porra louca Jair Bolsonaro. E os três dementes filhos? Quem prestou atenção, certamente,  já deu para perceber,  têm a mesma chama de maldade, zombaria, desprezo por tudo que promove alegria, liberdade, solidariedade, amizade e fraternidade,  estampadas em suas faces doentes.

Não tenho dúvidas. Nunca fui um homem de religião (culpa de Toinha, kakakaka), na minha juventude até gostava de sacanear meus colegas mais frouxos zombando, fingindo não acreditar em Deus, mas tenho a mais absoluta convicção que essa curriola de crápulas que vivem a berrar nos quatro cantos seu amor e temor ao Ser Supremo, como gosta de dizer meu amigo Bora Porra, são enviados do demônio, e pelo lúcifer, treinados na arte de enganar. Todas as falas, gestos, decisões, opiniões, tudo que eles gostam, admiram e seguem, fica evidente, são posições demoníacas. Ódio, morte, armas, mentiras, traições, zombarias, humilhações, trapaças, roubos, corrupção,  discriminação, os sentimentos mais anti humanos que existem estão alojados nesses seres, estampados em seus olhos, transparentemente,  carregados de crueldade.

É isso que penso. Estamos vivendo a República das porras loucas, desvairadas, perigosas e odiosas (desculpem tantos adjetivos pejorativos, mas eles merecem), pessoas que acham normal matar, trucidar, torturar e, por mais absurdo que possa parecer, se proclamam escolhidas por Deus para esse papel de desumanização, espalhando e convencendo seus seguidores que ter uma arma em casa, e até ensinar crianças a usá-las faz parte de um plano de salvação, de proteção. Para piorar toda essa situação bizarra  é que se levantou, do nada, de onde não acreditávamos, uma verdadeira nação de aprendizes de capeta  e aderiu aos ensinamentos desse monte de mestres do mal. Nem mesmo os mais otimistas entre esses párias imaginavam que teriam tantos admiradores, defensores, zumbis que são capazes de chegar às últimas consequências para defender esses repulsivos mitos.

 

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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