OPINIÃO

Onde está a voz dos sindicatos e centrais na luta contra a covid-19?

Por Leílton Lima*

A vida é o fundamento maior de tudo o que fazemos. Por ela trabalhamos, aprendemos e lutamos. Mas estamos perdendo essa batalha no momento. Vivemos um cenário de guerra, onde pessoas morrem aos milhares, às vezes ao nosso lado. Apesar da tragédia, a polarização política acaba gerando duas formas distintas de encarar o mesmo inimigo. Uma, negacionista, focada no lucro e sabotadora das informações científicas, capitaneada pelo presidente Bolsonaro. Essa ala é representada no Rio Grande do Norte pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias.

A outra linha de combate é a que está disposta a sacrificar momentaneamente a economia em favor da vida. É formada por cientistas e especialistas em geral, que seguem padrões internacionais de enfrentamento ao Coronavírus. Esse grupo encontra aqui o apoio integral da governadora Fátima Bezerra. No meio dessa briga, está uma população que se divide entre assustados e negligentes, mas que, ao ser contaminada, tem em comum a total dependência das decisões governamentais que ora se digladiam.

E qual a posição da sociedade civil organizada? Paralelo aos mais de 240 mil velórios, sindicatos, associações e centrais sindicais têm que lutar por direitos que foram destroçados pelo governo Bolsonaro e ao mesmo tempo se defender de novos ataques, como é o caso da anunciada Reforma Administrativa. A luta foi transferida para redes sociais e continua, enquanto a Covid-19 mata, alternando-se posts de protestos e notas de falecimento.

Talvez essas entidades não tenham se dado conta da extrema gravidade da situação e do seu papel. De que adianta lutar unicamente pela manutenção de direitos trabalhistas quando o risco maior hoje, é de se perder o direito à própria vida?

Passou da hora de os que organizam a sociedade para a luta, dirigirem sua atenção prioritária para a defesa da vida, contra a Covid-19. Sim, esse não é o papel tradicional do movimento popular, mas não estamos vivendo uma conjuntura que possa se enquadrar no conceito de tradicional. Para novos desafios, novas posturas são necessárias.

É preciso assumir de peito aberto de que lado estamos. As entidades representativas da classe trabalhadora vão se calar diante de um prefeito que tenta sabotar as ações do governo, ao mesmo tempo em que negligencia sua obrigação de tomar medidas efetivas e por cima estimula o uso de um medicamento ineficaz?

E a governadora Fátima Bezerra ficará sozinha na luta contra a horda bolsonarista cloroquiniana e o negacionismo ivermectiniano, que hoje administra Natal? Não. Não é porque Fátima é de esquerda que merece a união firme e clara das entidades de classe nessa luta. Qualquer um que use a razão e a lógica na luta contra o vírus merece o apoio da sociedade civil organizada. Mesmo se fosse adversário. Ou fazemos isso, ou morreremos de Covid-19 antes de ver nossos direitos trabalhistas serem reconquistados.

* Leilton Lima é jornalista

 

 

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