CIDADANIA

OPINIÃO: Centenas de professores sempre trabalharam para minorar os efeitos da falta de políticas públicas no RN


Por Aparecida Fernandes, professora do IFRN-Campus Parnamirm

Neste 31 de janeiro, por iniciativa de um significativo grupo de professores oriundos das diversas instituições de ensino superior, houve uma reunião com a governadora do RN e seu secretariado para constituir uma rede de voluntariado em favor do desenvolvimento social, sustentável e cidadão do Estado.

Não é exagero registrar que a última vez que isso aconteceu por esta terra foi no âmbito da capital, quando o prefeito era Djalma Maranhão. Assumindo uma cidade sem recursos e com alto índice de analfabetismo, subemprego, pobreza, ele conseguiu agregar estudantes universitários, professores e profissionais diversos em torno do projeto “De pé no chão também se aprende a ler” e “De pé no chão também se aprende uma profissão”.

No nosso castigado Rio Grande do Norte, governado desde sua existência por famílias poderosas economicamente que se revezaram no poder, os índices são avassaladores, puxando o Estado para baixo.

Amargamos a pior colocação nos indicadores educacionais, econômicos, sociais. Se formos honestos na análise dos fatos, perceberemos que as notícias positivas que têm sido dadas sobre realizações em vários campos da educação e do desenvolvimento sustentável, da economia, da cultura são fruto do trabalho das instituições de educação e seus profissionais; de ONGs; de Movimentos Sociais; de associações e grupos diversos. Buscam dar respostas para aquilo que o poder público historicamente não vem atendendo.

A iniciativa do voluntariado se dá nesse contexto.

Mas qual não foi nossa surpresa ao ver uma notícia de manchete tendenciosa (para não dizer canalha) em um portal chamado “Grande Ponto”:

“Cem professores esperam PT assumir o poder para oferecer ajuda”.

Na verdade, esses “Cem professores” e muitos outros dedicam sua vida profissional à buscar preencher essas lacunas que seriam de responsabilidade dos governos. A atuação desses professores está voltada a desenvolver projetos de inclusão social, de formação de pessoas vulneráveis, de promoção da economia solidária, de acesso à arte e à cultura, à moradia digna, à terra, à agua, ao alimento saudável. Só para citar alguns alcances que as centenas de projetos de extensão e de pesquisa propiciam. Graças ao trabalho desses atores sociais, a barbárie não se instalou em nossa terra.

Tudo isso é promoção de cidadania. E vem ocorrendo à revelia dos governos que por aqui passaram. E apenas por dois motivos:

  • nenhum dos governadores anteriores se elegeu se comprometendo com essas pautas. Ao contrário, rapinaram quase tudo que dissesse respeito à melhoria de vida dos mais pobres. A prova é a calamidade em que o estado se encontra.
  • Esses “Cem professores” – e, creia, há muito mais – não abrem mão do que acreditam para ficar de bem com as famílias poderosas que governaram o Estado. Não negociam princípios, não se vendem. Mas essa lógica, aqueles habituados à bajulação de poderosos não entendem.

O que a história potiguar nos tem mostrado é que por trás de cada difamação aos que lutam para promover a cidadania há uma pena vendida que serve a um deputado, a um empresário ou a um tradicional sobrenome.

Mas caminhemos. Os cães ladram e a caravana passa.

 

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1 Comment

  1. Não restam dúvidas quanto ao papel desempenhado pelos educadores das universidades e do Instituto Federal do RN no apoio as populações e no fortalecimento de políticas pública ao longo de décadas no Rio Grande do Norte.
    Podemos citar experiencias em todas as áreas do conhecimento e assistência à população. Os hospitais e maternidades escola, são os primeiros que nos vem a mente. As extensões universitárias e as pesquisas aplicadas nas áreas ambientais, dos direitos à cidadania como os projetos “trilhas potiguares”, a prática forense, as articulações territoriais como o “pólo de tilápias do Mato Grande”, a analise da balneabilidade das águas nas praias urbanas são algumas referencias que nos saem de memoria. Mas são incontáveis…
    O que de novidade se coloca na iniciativa acima reafirmada pelo professora Aparecida Fernandes é a articulação coletiva, multidisciplinar e programaticamente identificada. Não é pouca coisa. Nossas dissertações, teses e experiencias na extensão e na pesquisa serão – de fato – instrumentos de articulação governamental a partir de gestos do governo do estado do RN, que a exemplo de outras iniciativas históricas, vincula-se a academia com o olhar democrático popular que constrói cidadania e politicas publicas.

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