DEMOCRACIA

OPINIÃO: Robinson e o Blues da Piedade

O debate promovido pela TV Ponta Negra nesta quarta-feira (18) poderia ser o que não foi. Fossem outros atores, em outro tempo, certamente teria sido melhor aproveitado pelos candidatos. O horário ajudava a audiência, às 18h30, mas nem isso foi suficiente.

Segundo colocado nas pesquisas, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves simplesmente não apareceu. Alegou um conflito de agenda e deixou os eleitores dele e, especialmente os indecisos, a ver navios sem saber as respostas de Alves para os problemas do Rio Grande do Norte.

Aliás, Carlos Eduardo adotou o mesmo comportamento recente de Robinson, que só nessa campanha correu de três debates: dois temáticos sobre Segurança Pública e um convocado pelos servidores e professores da UERN. A justificativa foi a mesma: coincidência entre as agendas.

No debate da TV Ponta Negra, Robinson foi um capítulo à parte. Difícil entender como um gestor que passou o mandato pregando o diálogo e a transparência só consiga oferecer ao público provocações rasteiras sem conteúdo direcionadas à candidata que lidera as pesquisas.

Robinson voltou a insistir na notícia falsa do áudio em que um suposto bandido declara apoio à senadora Fátima Bezerra e na cópia que a candidata do PT teria feito de um programa de governo do Piauí. Um roteiro previsível e inócuo.

É difícil acreditar que um governante que diz ter tanto para mostrar à população não mostre nada e ainda gaste todo o tempo do debate para dizer que a concorrente copiou propostas de um estado vizinho. Logo Robinson, que importou do Ceará em 2014 o projeto Ronda do Quarteirão e vendeu a ação ao povo como a grande aposta na área de segurança para o Estado.

Aliás, parece que a ficha caiu e o governador desistiu de repetir a mentira das 1.200 obras que nenhum auxiliar dele teve coragem de bancar.

Robinson teve quatro anos para incorporar um discurso sério, de estadista, pautado na competência, em ideias novas, na responsabilidade com o dinheiro público e com as pessoas que mais precisam do Governo.

Mas fez o contrário. Ancorado numa ilha fantasiada pelos assessores mais próximos, o governador optou por um discurso piegas. Ao invés de reagir e dar as respostas que a sociedade cobra e exige, o governador assumiu um papel de vítima e busca, a todo o custo, a compaixão do eleitor.

Robinson confunde humildade com piedade e tenta, aos 48 minutos do segundo tempo, resolver a vida dele primeiro ao invés de trabalhar para mudar a vida das pessoas para quem governa.

Robinson inverteu os papeis.

O governador da segurança de 2014 luta, em 2018, pela segurança do governador.

À bravatas como essa, Cazuza respondia com os versos de Blues da Piedade:

Vamos pedir piedade, Senhor piedade, lhes dê grandeza e pouco de coragem.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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