OPINIÃO

Os IF’s e a Olimpíada em História

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No penúltimo final de semana de agosto, alunos do Rio Grande do Norte conquistaram o maior número de medalhas na 11ª edição da “Olimpíada Nacional em História do Brasil”. A competição foi promovida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde a primeira etapa, nossos alunos competiram com outros 73 mil estudantes de todo o país.

Depois de seis etapas online – cada qual com duração de uma semana – foi realizada uma etapa final, em Campinas (SP), com a participação de 1.200 alunos, representando 314 equipes de todos os estados brasileiros. O RN foi contemplado com 20 medalhas, sendo quatro de ouro, sete de prata e nove de bronze.

Do total de medalhas que a delegação potiguar conquistou, 19 foram conferidas a estudantes dos campi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, o IFRN. A outra foi conferida a estudante do Colégio Diocesano Santa Luzia, de Mossoró. Ao todo, estiveram em disputa 75 medalhas, sendo 15 de ouro, 25 de prata e 35 e bronze.

Lamentavelmente, os estudantes não tiveram apenas que se preparar intelectualmente para o desafio. Em virtude dos cortes que o governo Bolsonaro promoveu no orçamento do IFRN, o instituto não teve condições financeiras de custear as despesas de viagem de suas equipes. Os finalistas da Olimpíada tiveram que realizar diversas promoções para arrecadar o dinheiro necessário para participar da competição em Campinas.

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A expressiva conquista do IFRN surge no momento em que o governo federal tenta incentivar a militarização de escolas públicas. A alegação é a de que os colégios militares obtêm resultados acima da média dos demais. A grosso modo, até pode ser verdade. Porém, vale ressaltar que enquanto os estados e municípios investem anualmente R$ 6 mil por aluno, o Exército desembolsa R$ 19 mil.

Mais barato e eficiente seria o governo federal ampliar a rede de escolas federais, que apresenta resultado superior ao das instituições militares e custa R$ 3 mil a menos por estudante. Criados pelo então presidente Lula, em dezembro de 2008, os Institutos Federais alçaram a educação brasileira a um novo patamar. Militarizar o ensino público não é a melhor opção.

Ao invés de mais escolas militares, o Brasil precisa restituir ao ensino federal as condições econômicas de funcionar e ampliar sua rede. Além de o orçamento para 2019 ser igual ao de 2016, ele foi completamente desfigurado pelos cortes do governo Bolsonaro. Defendo mais Institutos Federais não apenas por eles serem melhores e mais econômicos. O faço por entender que escola não é lugar de repressão, mas de transmissão de conhecimentos e valores e de abertura de horizontes.

Sei que a disciplina é necessária no processo educacional, mas o jovem também precisa se sentir livre para questionar. A meu ver, o ambiente escolar deve ser um local de debates, de confronto de ideias. O aluno deve se sentir acolhido e incluído, e não intimidado. Investir nos Institutos Federais é apostar na pesquisa e na geração de conhecimentos. É interiorizar para levar a formação além das capitais. É entender que a educação profissional e tecnológica é essencial para o desenvolvimento do Brasil.

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