TRANSPARÊNCIA

Padre investigado por furto de objetos litúrgicos e fósseis é professor na UFRN: “os alunos estão desesperados”

Ao saber que o professor de Filosofia e padre Márcio de Lima Pacheco estava sendo investigado por furto de objetos litúrgicos e fósseis milenares, estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) procuraram a instituição para saber se o acusado seria afastado da docência.

A Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) foi o primeiro setor a ser consultado, mas o estudante que buscou informações sobre o caso foi encaminhado à Ouvidoria da universidade.

“Ele será afastado do seu cargo (ele até já foi afastados pela igreja)? Quando ele será afastado? Os alunos estão desesperados”, questionou um aluno por meio da plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação Fala.Br, enviando o link da reportagem da Agência Saiba Mais sobre o caso.

Na quinta-feira (26), o corregedor-titular Elias Jacob respondeu que não existe qualquer processo instaurado para que o servidor seja afastado. De acordo com o documento enviado ao estudante, os fatos narrados não constituem infração administrativa, já que não estão relacionados à função exercida na UFRN.

“A investigação da autoridade policial por fato alheio ao cargo público não resulta em instauração de processo disciplinar”, justificou.

O que de fato provocou a UFRN foi o fato de Márcio ser padre. Diante da informação nova, a Corregedoria enviou ofício à Coordenadoria de Assessoramento Processual e Acumulação de Cargos da Progesp solicitando “avaliação preliminar quanto à regularidade da acumulação por docente em regime de dedicação exclusiva”.

O texto encerra ressaltando que a resposta engloba apenas os processos sob responsabilidade da UFRN. Isso porque Márcio, na verdade, é professor titular da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e está em exercício provisório na Federal do Rio Grande do Norte por força de uma decisão judicial. A instituição não forneceu detalhes do processo, mas explicou que a solicitação foi por motivo de saúde.

Ele chegou à universidade em abril deste ano e ministra três disciplinas: Epistemologia das Ciências Humanas, Ideias Filosóficas Contemporâneas e Introdução ao Campo da Ética.

De acordo com dados do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa), teve outra passagem por lá entre os semestres 2007.2 e 2008.3, como professor em Filosofia I, Filosofia e Ética Profissional, Língua Latina I, Língua Portuguesa VII e Metodologia do Trabalho Científico.

Márcio Pacheco é phd em Filosofia e Discurso (Uern) e em Filosofia/Metafísica (PUC-São Paulo). É especialista em Língua Latina do Período Clássico e Medieval, especialista em Grego Antigo e pesquisador da Metafísica Antiga e Medieval.

Graduou-se em Teologia, pela Faculdade Dehoniana; e Licenciatura em Filosofia, pela Uern. O mestrado é na mesma área, pela UFRN, onde também iniciou sem concluir graduações em Enfermagem (2009) e Física (2006).

De acordo com o currículo Lattes em 2020, estava cursando Arquitetura e Urbanismo pela Unincor. No cadastro do Sigaa, em 2020, ele cursava Engenharia Civil na Universidade Potiguar.

O padre pertencente ainda à Diocese de Humaitá, no Amazonas, e foi afastado de suas funções sacerdotais e administrativas, além de ter sido revogada a permissão para celebrar missas no Rio Grande do Norte.

Furto

Sessenta e oito fósseis que pertencem ao Centro de Pesquisas Paleontológica da Chapada do Araripe (CTCA), ou Museu de Fósseis, no Ceará, foram encontrados com o padre Márcio de Lima Pacheco, também investigado por roubo de artigos religiosos da Capela Santa Tereza D’Ávila, que fica na Mina Brejuí, em Currais Novos, Rio Grande do Norte.

O material foi encontrado pela Polícia Civil do RN durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, no dia 12 de agosto, nas residências do suspeito, em Currais Novos e Natal, onde estava exercendo suas atividades.

O furto incluiu um crucifixo de duas faces, seis castiçais, dois jarros de prata, um missal em latim, um véu de ombro e quatro toalhas de altar. Além da subtração dos objetos, outros foram substituídos por um de qualidade inferior, como três batinas e um Ostensório.

A notícia crime foi recebida pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte no dia 20 de agosto e os fósseis apreendidos encaminhados e acautelados para a instalação de inquérito. A investigação corre em segredo de Justiça.

 

 

 

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais