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Papel de Leilane na luta antiproibicionismo alcançou a América Latina, destaca Sidarta

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Leilane Assunção levou para dentro da universidade a luta anti-proibicionista em defesa da descriminalização e legalização das drogas. Organizou seminários, palestras, se abriu para o diálogo e ajudou a desinterditar o debate sobre consumo recreativo e uso de drogas para fins medicinais.

Ativista da mesma causa, o neurocientista e vice-diretor do Instituto do Cérebro Sidarta Ribeiro destaca o papel importante de Leilane na luta anti-proibicionista, lembrando que o alcance do trabalho da historiadora não ficou restrito ao Rio Grande do Norte:

– Na última década Leilane desempenhou um papel muito importante para avançar esse debate, tanto no Rio Grande do Norte quanto nacionalmente e na América Latina. Aqui em Natal o diálogo sobre política de drogas foi sendo desinterditado, graças em boa medida à persistência e perspicácia de Leilane. Organizando eventos e ações, falando, ouvindo, lendo, escrevendo, atuando incansavelmente, Leilane deu uma contribuição fundamental para a articulação ampla de saberes que hoje embasa solidamente o anti-proibicionismo.

Sidarta ressalta características como a intelectualidade, a coragem, o bom humor e o fato de Leilane ter sido uma ativista inteligente e a primeira professora universitária transexual do país:.

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“Uma força da natureza. Toda morte é irreparável, mas a perda da Leilane se distingue por sua trajetória pioneira, capaz de vencer preconceitos e se afirmar com muita autenticidade e legitimidade. Leilane vai fazer muita falta”, diz.

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Como colunista da agência Saiba Mais, Leilane se mostrou conectada aos desafios do mundo contemporâneo

Uma das atividades que mais dava prazer a Leilane Assunção era o exercício semanal de escrever artigos para o portal da agência Saiba Mais. A estreia da primeira professora trans do país como colunista de um veículo de comunicação foi exatamente na estreia da agência, em 31 de agosto de 2017. Ao todo, foram 50 artigos inéditos publicados sempre às quintas-feiras.

E logo primeiro texto, Leilane chamava a atenção para “Os desafios de romper a barreira da universidade e falar para muitos”. Era uma preocupação da historiadora ser entendida pelas pessoas para além dos muros da universidade. Diz um trecho do artigo:

– Quando fui convidada para compor esse corpo editorial, não pensei duas vezes, aceitei de imediato pois venho sendo perseguida pela necessidade de escrever para atingir públicos mais amplos, que vão além daqueles que nós, pensadores da universidade, usualmente atingimos, acostumados que estamos a dialogar com o público de especialistas sobre questões que soam muitas vezes um tanto quanto esotéricas.

Segundo ela, foi essa percepção de poder ser entendida por um público maior que a levou a mudar a tese do doutorado:

– Munida dessa compreensão, ao entrar no Doutorado, decidi mudar radicalmente de objeto de pesquisa: de um filosofo alemão para a cantora brasileira Clara Nunes. Com ela, eu sabia que teria algo a dizer e que seria relevante não só pra o mundo acadêmico, mas acima de tudo para as pessoas que não estão na universidade. Pessoas que representam, evidentemente, a grande parcela da população brasileira que não está no meio acadêmico, mas que o financia com o dinheiro dos seus impostos.

Durante os 50 artigos que escreveu, Leilane falou sobre o que quis: da invisibilidade trans à falta de políticas públicas nas cidades. Abordou o tema antiproibicionismo, Escola Sem Partido, feminismo e outros temas.

No último artigo publicado em 2017, Leilane fez uma retrospectiva do que seria 2018. Acertou praticamente todas as previsões:

Pela primeira vez que eu me lembre, as perspectivas para o RN estão melhores do que para o Brasil, não para 2018 claro, mas, para 2019. Basta que se eleja a comprovadamente competente Fátima para o governo do RN nas eleições desse ano e renovemos essa Câmara estadual mais suja que pau de galinheiro. No âmbito federal, o plano A continua a ser Lula, gostaria inclusive de usar o espaço para convidar meus leitores a assinarem o manifesto “Eleição sem Lula é fraude”. Mesmo que não sejamos  vitoriosos nessa Luta para manter Lula no pleito, e acho que não seremos porque é um jogo de cartas previamente marcadas essa encenação do judiciário, ainda iremos pra a eleição sim, com o plano B que seja, mas com a motivação de achar que a luta está longe de ser perdida. Perdemos uma grande batalha, que foi a deposição de Dilma, mas a guerra pelo futuro do Brasil, por 2018, 2019, 2020, 2021 e ainda mais, ainda está em aberto. Trabalhadores do Brasil e do mundo, uni-vos.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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