DEMOCRACIA

Para Movimento Antifas é preciso desmistificar: “o policial não é um guerreiro, é um trabalhador”

Desmilitarização das polícias, carreira única, ciclo completo, fim do inquérito policial, reforma do sistema de segurança pública. Pautas não tão conhecidas por boa parte da população, mas que vem ganhando força no interior das polícias brasileiras. As reivindicações são levantadas pelo Movimento de Policiais Antifascismo.

O movimento foi criado em 2017, inicialmente por policiais do Rio de janeiro e da Bahia, depois se espalhou por outros estados. O bombeiro militar de Natal, Dalchem Viana do Nascimento Ferreira, é um dos cofundadores do movimento.

Em entrevista ao programa Balbúrdia desta quinta-feira, 3, Viana falou sobre a necessidade do trabalhador policial se colocar ao lado dos demais trabalhadores no enfrentamento ao fascismo. “É preciso desmistificar: o policial não é um guerreiro, é um trabalhador”.

Ele reconhece a falência da guerra às drogas e a criminalização da pobreza. “No Brasil há uma engenharia institucional para que a Segurança Pública combata a pobreza oprimindo pobres, numa lógica de escassez.”

Para ele, é preciso fazer com que os policiais entendam que podem ser vítimas da violência que eles mesmo propagam. E alerta que, o Brasil tem não apenas a polícia mais letal do mundo, mas também a que mais morre assassinada ou por suicídios.

O movimento defende uma carreira única. “Que não haja a progressão para os bons policiais. Esse modelo da Polícia – que divide oficiais e praças – é da idade média”, afirma.

Viana chama a atenção de que não são os oficiais que estão entre os profissionais que mais morrem, “são os praças, os trabalhadores da polícia militar Esse policiais estão indo pra ruas, e é pobre matando pobre”. Em sua avaliação, a “polícia foi cooptada para defender as elites do Brasil. Esses acham que os praças da PM são seus ‘cães de guarda’ dos ricos”.

Dalchem denuncia a falta de um projeto de segurança para o país. “Bolsonaro não mostrou até agora nenhuma proposta ou plano de segurança pública, não se tem nada, nem estrutural nem paliativo. Além do discurso medíocre do bandido bom é bandido morto”, diz. Ele avalia que o governo da professora Fátima Bezerra (PT) pode ser protagonista desse processo, com a adoção de uma lei estadual de ensino, com a formação de uma base curricular nas corporações policiais.

Entre os pontos mais polêmicos, a defesa da desmilitarização das polícias. “Já temos um modelo no Brasil de uma polícia desmilitarizada: a PRF. Desmilitarizar não é tirar armas, farda, hierarquia. Falamos sobre excessos”.

Sobre os resquícios da ditadura em decorrência da não realização de uma reforma das instituições na transição de um regime autoritário para a democracia, Dalchem considera que “Bolsonaro sabe que as polícias militares são braços do Exército. Por isso se fala tanto em golpe com o apoio das instituições de Segurança.”

Confira a entrevista na íntegra.

 

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