OPINIÃO

Para onde caminha o RN?

O governo de Fátima Bezerra, professora que ascendeu na política potiguar a partir de sua base, na educação pública, e não como filhote desses chefes políticos que tem no RN sua fazenda, ou alinhado a alguma oligarquia ou grupo político local, chega à final do terceiro ano do seu mandato e, à medida que o RN começa a iniciar uma trajetória positiva, os ataques aumentam, muito em função do fato de que, como sempre, os “coronéis” querem recolocar o estado no trilha do esquecimento.

Aos poucos e em meio a uma devastadora crise econômica, o governo tenta recompor suas finanças, melhorando a capacidade de arrecadação; abrindo espaços para que recursos públicos, ainda minguados é verdade, passem a estimular alguns setores da economia potiguar; concluindo os débitos deixados pelo governo anterior; melhorando o acesso às informações das suas ações, algo que as velhas e carcomidas lideranças locais sempre torceram o nariz; e apontando para um futuro, ainda difícil, bem diferente do legado deixado pelo senhor Robinson Faria, que hoje critica a governadora com um cinismo que chega a ser patético.

Fátima, experiente que é, sabe que para governar essa grande fazenda precisa de apoio de muitos dos que construíram esse sistema político anacrônico. Tem apenas 2 deputados firmemente ao seu lado e uns apoiadores, chamada de “base parlamentar”, que oscila muito em função das benesses que recebe, quer no campo da economia, quer no campo político, ou seja, tem sido eficiente nesse jogo de xadrez complexo.

Enfrenta uma oposição que, além do ódio de classe, acrescentou uma “pitada” de bolsonarismo, o que elevou a desqualificação desse grupo, que domina amplamente os meios de comunicação locais, além de ter o apoio desvergonhado de ministros do governo federal. Rogério Marinho e Fábio Faria, repetem o mesmíssimo modo de agir das oligarquias que existiam no começo da República, usando o cargo no governo federal, como trampolim político na luta local.

É claro que a trajetória política dessa professora, eleita deputada estadual em 1994, com pouco mais de 8 mil votos, no mesmo ano em que o poderoso chefe de clã, Garibaldi Alves Filho, então senador, se elegia para o governo do estado e manteria o “rodízio” com o clã dos Maia nos círculos de poder do estado (governo e senado), enfrentou sempre o mesmo preconceito (de classe) e sua atuação na área de Direitos Humanos não a tornava simpática ao status quo, além do fato de que ela teve a ousadia de se contrapor a um sistema quase secular, elegendo-se deputada federal em 2002, com mais de 160 mil votos; candidatando-se à prefeitura de Natal, um grande polo conservador; e em 2014 elegeu-se senadora, algo impensável para as “elites” locais.

Agora, sendo gestora de uma massa falida, deixada não apenas por Robinson, mas por todo um passado oligárquico, usa de todos os recursos administrativos, incluindo a montagem de uma equipe que se dedica a buscar construir um programa de governo que empurre o estado para frente e não para os lados, como é costumeiro e contando, é verdade, com a capacidade articuladora do seu vice-governador, Antenor Roberto, comunista histórico, que, no governo, demonstrou ser um auxiliar competente no trato político com determinados setores da sociedade, como a polícia militar, contaminada pelos pensamentos delirantes do fascismo bolsonarista.

Até agora seu principal opositor, já declarado candidato a governo, é o deputado federal Benes Leocádio, que, para ser ungido a “candidato de oposição” flerta com os setores mais atrasados e é, até o momento, “empurrado” pelos capatazes de Bolsonaro no RN. Monta-se, como sempre, um bloco opositor que promete ser mais do mesmo, com um discurso genérico; o apoio de chefetes locais, sempre interessados em favores pós -eleição; setores empresariais que preferem um estado pobre e protegendo-os em detrimento da população; e segmentos da classe média, rancorosas e ressentidas com a ascensão, que já não existe mais.

Nesse cenário complexo em que o tecido social do RN encontra-se fragilizado, com milhares de potiguares desempregados, desalentados, subempregados, endividados e desesperançados, vítimas fáceis do discurso demagógico dos velhos líderes locais, A força política que governa o estado, o Partido dos Trabalhadores (PT), amado e odiado por boa parcela da população, busca traçar uma tática eleitoral que permita a continuidade do governo e, por conseguinte, precisará se mover entre escorpiões, um movimento perigoso, mas necessário.

O fato é que estamos nos aproximando de mais uma encruzilhada para os potiguares, que terão de escolher entre manter esse projeto, que tenta transformar o RN num lugar digno de viver, o que levará, infelizmente, anos de investimentos e de ações governamentais que induzam a economia local a se desenvolver; ou retomar o mesmo arco de forças políticas, que ergueram uma estrutura produtiva e social conservadora, muito frágil e sujeita a mudanças, sem base de sustentação, baseada no discurso demagógico e rasteira, típico de uma elite rastaquera.

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