OPINIÃO

Para que especialistas? O internauta médio sabe e entende de tudo!

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Por dever de ofício, como um dos editores do Portal Potiguar Notícias e fazendo parte da bancada do webprograma PNTV, entrevisto muita gente ligada à Segurança Pública. De secretário estadual de Segurança a policiais (militares, civis e federais), passando por técnicos e gente que estuda o tema e de forma aprofundada há anos.

Ou seja, pessoas que tanto lidam com a problemática, as particularidades e as possíveis soluções da segurança na prática, como estudam estatísticas e números, cruzam dados e informações.

A partir dessas entrevistas e conversas, a redação produz matérias (quase sempre com os dados coletados e abundância de números) para o Portal PN e divulgação nas redes sociais, como Facebook e Instagram.

E a partir das redes os comentários dos internautas em relação ao conteúdo das matérias e falas dos entrevistados. E nessa parte – os comentários – é que a conta da lógica não fecha…

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Pois o que vemos são os internautas dando mais que meras opiniões, mas sim, palpites, argumentos por vezes agressivos, desqualificação dos especialistas. Enfim, comentaristas de internet, muitas vezes pessoas sem qualquer noção sobre o assunto externado, colocando em xeque a posição dos especialistas no tema e dizendo qual a “verdade”.

Na verdade, uma “pós-verdade”, em tempos onde números, dados, estatísticas, planilhas de pouco valem contra a opinião sem embasamento e a cisma do internauta, boa parte das vezes motivada por questões político-partidárias.

Se esta cultura dos “internautas especialistas em tudo” já era preocupante e largamente debatida no mundo da comunicação, imagine agora em que o presidente do país é na verdade um desses “internautas sabe-tudo”.

Como já disseram (o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia já falou isso), Jair Bolsonaro parece mais um adolescente obcecado com redes sociais do que um chefe de Estado.

E Bolsonaro mergulhou de corpo e alma nesta política de opinar (e Twittar, principalmente) sobre o que desconhece, que na verdade, é quase tudo. Indo pelo mesmo raciocínio dos primeiros parágrafos: De que vale estudiosos, doutores, Museu do Holocausto, Embaixada alemã reafirmarem que o Nazismo jamais foi de Esquerda, se Bolsonaro prefere crer (ou inventar) que sim, Nazismo é de Esquerda?

São tempos estranhos, para a comunicação, ainda mais. Tempos em que de pouco adianta apresentar argumentos, números, anos de estudo. As redes sociais permitem que um analfabeto funcional questione a palavra de um doutor em Física sobre Física e que um Zé Mané que não sabe a diferença entre “mas” e “mais” ridicularize números sobre violência que um especialista levou anos para reunir.

Os “sabe tudos” de Internet não apenas ganharam força e poder. Chegaram à presidência da República e ministérios. Melhor Jair se acostumando. A coisa vai piorar.

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