DEMOCRACIA

Para Temer, Alckmin representa continuidade do governo atual

“Se você dissesse: ‘quem o governo apoia?’. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele”, assumiu o presidente Michel Temer, demonstrando maior proximidade com o candidato do PSDB do que com Henrique Meirelles, do seu partido, MDB. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Bruno Boghossian da Folha de São Paulo, publicada nesta quinta-feira (16).

Temer é consciente da rejeição que alcançou com seu governo reformista e de retirada de direitos dos trabalhadores e admite que não vai fazer campanha para nenhum dos seus dois favoritos porque não quer “incomodar”, mas sabe que a esses candidatos resta carregar a marca do governo atual.

“Não pode desligar-se do governo. Dizer ‘eu não participei deste governo’ é impossível”, alerta. “O próprio Geraldo Alckmin, quando questionado sobre essas matérias, diz: ‘a reforma trabalhista é importante, tem que ser mantida’”.

Temer acredita na possibilidade da continuação de seu governo se Alckmin sair vitorioso nessas eleições. Segundo ele, as declarações do ex-governador do estado de São Paulo indicam isso, além de suas alianças.

“Esses que ajudaram a fazer as reformas vão estar no governo se ele ganhar. Quem for eleito não vai conseguir se afastar do que começamos.

Ainda na entrevista, Temer evita críticas mais duras ao PT, a Dilma – afirmando que “se o governo tivesse conseguido continuar, não teria sido ruim” –, e a Lula – “não se pode negar alguém que exerceu a Presidência”.

Mas quando o assunto é Ciro Gomes, Michel Temer mostra rancor e escárnio. “Como é o nome? Ciro Gomes, Ciro Gomes…”.

Sobre as investigações às quais responde, disse não ter preocupação porque existe a esperança de o Judiciário perder o interesse no caso após sua saída da Presidência.

Em aparente acesso de sensatez, Temer encerra sua fala dizendo que o próximo presidente deve buscar “pacificação” e reconhece a cultura de ódio que se instaurou no país (mesmo ela tendo sido fruto do golpe). “Durante a campanha é natural um acirramento dos ânimos, mas depois todas as forças devem se unir”, encerra.

 

Foto: Istoé/Beto Barata/PR

Veja a entrevista completa aqui.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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