CULTURA

Parceiro de Fagner e Capinam, compositor Mirabô Dantas é impedido de tomar vacina em Natal por não ter carro

O compositor potiguar Mirabô Dantas passou nesta sexta-feira (26) por uma das experiências mais surreais de seus 74 anos de vida. Em relato publicado no Facebook, o artista contou que saiu de casa a pé para tomar vacina num posto de atendimento instalado pela prefeitura de Natal no Palácio de Esportes Djalma Maranhão, em Petrópolis, mas não conseguiu ser imunizado.

O motivo: Mirabô não possui carro e, naquele centro de vacinação, os funcionários só estavam autorizados a vacinar motoristas a bordo de seus respectivos veículos.

– Infelizmente só vacinamos no carro, do lado de fora, aqui só estamos realizando exames, para quem procura”, disse a ele uma funcionária no local.

O compositor perguntou então o que deveria fazer e foi informado que o posto mais próximo – onde estariam vacinando pessoas sem carro – ficava na rua Romualdo Galvão, “distante alguns quilômetros dali”, escreveu.

Não bastasse o constrangimento, ainda chovia em Natal:

– Estava chovendo, uma chuva fininha, mas estava. Voltei pra casa sem tomar a vacina. O Brasil não é, mesmo, para ama/dores!”, encerrou o depoimento na rede social.

Após publicar o texto, vários amigos e admiradores do compositor se mostraram indignados com a situação e se ofereceram para levá-lo de carro para tomar vacina. O sindicalista Tarcio Fontenelli passou na casa de Mirabô, localizada a apenas duas quadras do Palácio dos Esportes.

O artista, parceiro de estrelas da Música Popular Brasileira, como Fagner e Capinam, por exemplo, conseguiu ser imunizado por volta do meio-dia, mais de duas horas depois do constrangimento enfrentado no início da manhã.

“Logística burra”

O amigo Tarcio Fontenelli passou na casa de Mirabô e o levou de carro para tomar vacina / foto: cedida

Em contato por telefone com a agência Saiba Mais, Mirabô se disse surpreso com a situação. Após publicar o relato na rede social, ele recebeu várias mensagens de apoio e solidariedade, uma delas do amigo e ator Tonico Pereira, que classificou o episódio como “logística burra”.

“Tonico Pereira me ligou e disse que aquilo era um caso de logística burra. Acho que é por aí. Mas tem outra coisa também: não fica bem para a prefeitura ver registro de fotos com pessoas a pé ali, eles preferem a imagem com aqueles carrões grandes. Porque não tem outra explicação. Não tinha quase ninguém. Se eles quisessem mesmo vacinar me chamavam numa salinha e aplicavam. Por isso acho que é logística burra mesmo”, contou.

Mais tranquilo e até rindo da situação, Mirabô lembrou com ironia o diálogo que teve com a funcionária que lhe negou a vacina:

– Quando ela disse que eu não ia tomar vacina, perguntei: “mas a senhora acha certo eu ter que comprar um carro pra me vacinar, é ?” E fiquei olhando para a cara dela. Agora imagine uma pessoa que não tem nada. Mas deu tudo certo e daqui a pouco vou publicar meu cartão de vacina”, disse o artista.

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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